Açúcar castanho para adocicar os ouvidos em 2015

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transferirÉ comum em famílias moçambicanas, ter na refeição matinal uma chávena de chá, pão com manteiga. O chá é adocicado pelo açúcar castanho. O percussionista e baterista, Samito Tembe foi buscar este adoçante para intitular o seu projecto musical: Açúcar Castanho Experiment. A escolha do título é consequência das vivências de Samito que cresceu “tomando chá com açúcar castanho”. Para o presente ano o projecto programou uma série de concertos ao vivo, em jeito de ensaio para o álbum.
Texto: Leonel Matusse Jr. | Foto:  Adiodato Gomes


DSC_3854O percussionista Samito Tembe está a preparar o seu projecto musical, “Açúcar Castanho Experiment “. Os estilos musicais que vestem o projecto são tradicionais moçambicanos. Samito é percussionista há mais de doze anos. Já foi membro da Banda Kakana para além de ter passado por vários outros grupos, tais como: Mahamba, Voz Verde, N`tysso, Tchikulu, Xitende. Com este último, tocou no Xima bar, onde teve «a oportunidade de acompanhar músicos ligeiros moçambicanos. Aprendi a tocar música ligeira ali, com nomes como Camal Givá, Salimo Mohamed, Wazimbo», revela.

O percussionista trabalha como independente, é um dos mais requisitados da cidade, o que lhe deu muita experiência, que pretende transmitir no açúcar castanho, «são anos a tocar com toda malta, tenho que exteriorizar o que fui colhendo», disse.

No seu jeito humilde e a vontade revelou que pretende trabalhar com músicos moçambicanos no seu projecto e, que o guitarrista Childo Tomás, radicado na Espanha, lidera a lista de eleição, «gostaria de tocar com o Childo». O guitarrista incentivou Samito a fazer este trabalho e mostrou-se disponível a colaborar, «ele quando veio para cá disse: tu podes liderar, estar ali a frente de uma banda. Era bom nós podermos gravar qualquer coisa juntos», contou Samito com sorriso nos lábios.

O trabalho é baseado em mutximba, um ritmo tradicional moçambicano, da região sul do país.

A banda é constituída por si (composição Percussão, Bateria, Voz), Sérgio Mudjidji (Baixo), Timóteo Cuche (Saxofone e Clarinet), Nicolau Cauaneque (Piano). Este elenco possui influências jazz muito fortes, mesmo porquê, é o que têm tocado fora deste projecto. Em risos o percussionista comenta que nos ensaios têm acontecido de as vezes chamar atenção aos colegas, «isto está ficar jazz malta».

Samito brinca, «eu é que faço a voz, bem ou mal, pois, para mim a música é como se fosse um quadro, uma pintura, uma escultura. O artista faz como quer e depois quem vai dizer que não está bem?», já sério diz «mas há muito a trabalhar».

Antes da gravação, as peças irão desfilar nos concertos pelas casas de pasto de Maputo, porque para Samito tem que ser um trabalho bem feito e os integrantes da banda têm que conhecer bem a música para entrar para o estúdio. E o público também têm que estar familiarizado com as músicas.

Samito Tembe manifestou o desejo de fazer «os concertos de dia, nas periferias», e justificou dizendo que «de noite só os que têm dinheiro é que vão», enquanto pretende que a sua música chegue a todos.

Há poucas escolas de música

Lamentou a falta de escolas de música. No seu entender este é o elemento que falta para o desenvolvimento desta arte no país. «Se nós tivéssemos escolas, estaríamos noutro nível. Auto didata é bom, mas escola é melhor. Para entrarmos pela porta, não pelo muro. Há que educar as pessoas. Aqui só estudam para ter dinheiro e, não para aprender» observou.

Desde novo está envolvido com a música, a sua mãe o levava á igreja, e lá aprendeu a cantar, «apanhei um divertimento ali, cantar para Deus, era nice. As pessoas gostavam de me ouvir a cantar», revela.

Nasceu e cresceu no Bairro Central, centro da cidade de Maputo, depois a sua família mudou-se para o bairro Maxaquene, arredores da cidade.

Chegado ao Maxaquene experimentou ser bailarino. Fez amizades com gente envolvida com a música que lhe indicou um grupo, onde poderia aprender mais, Mahamba, «nesse grupo aprendi dança tradicional, um pouco adulterada, afinal, estamos na era moderna» disse ele, e por desentendimentos acabou abandonando o grupo.

Mas o jovem não desistiu. Continuou trilhando o seu caminho, visto que já há muito tempo seu desejo é «viver de música». Por essas andanças nos projectos onde foi aperfeiçoando a sua arte teve «uma bolsa de estudo para a [Universidade] A Politécnica, mas não fui. Lá não tinha música», contou Samito.

Morou dois anos na Noruega

Entre os anos 2008 e 2010, imigra para Noruega com o propósito de ensinar percussão numa escola de cultura, onde trabalhou com gente de todas idades. Na sua estadia naquele país europeu fundou o “Monoswezi Project”, banda que teve a participação de artistas de Moçambique; Noruega; Suécia e Zimbabwe. Com o objectivo de criar uma ponte cultural entre os artistas dos mesmos, que culminou com a realização de espetáculos e a gravação de um álbum intitulado “Monoswezi”.

Como membro da Banda Kakana, em 2005, participou do Festival Music-Cross-Roads – festival Nacional e Regional Austral, onde ganhou o prémio de melhor percussionista e foi participar no Ethno Music Fest na Suécia.

“Free Lancer”

Como “Free Lancer” construiu um portfolio invejável, na sua lista de parcerias constam grandes nomes da música nacional, entre os mais jovens e os da vanguarda, tais como: Jimmy Dludlu, Ras Haitrm, Isabel Novella, Neyma, Xixel Langa ,Djakkas, Sérgio Muiambo, Roberto Isaias , Zoco Dimande , João Cabral, , Miguel Xabindza, Tony, Simba, Milton Gulli , Silita, Childo Tomás, Deodato Siquir, Neco Novellas, Cremildo Caifás.

Recentemente participou do álbum Memórias de Chico António.

 In Sol do Índico

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