“A fotografia é a arte de escrever com a luz”

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Chico Carneiro, Cineasta e fotógrafo

Chico Carneiro Foto PERFIL“As fotografias, como obras de arte, só se completam quando partilhadas com o público. Fotos que ninguém vê não servem para muita coisa”. Dando vida a essas frases, Chico Carneiro, nascido em 1951 em castanhal Brasil, abraçou o cinema como profissão e na fotografia encontra o sossego.
Desde 1976 participa de exposições individuais e colectivas no Brasil, Moçambique e Portugal. No ano de 1983, migra para Moçambique, onde trabalha como director de fotografia e realizador de documentários. Conhecedor da “Pérola do Índico” de ponta a ponta, Carneiro nas horas vagas fotografa os melhores ângulos deste país.
Para marcar os seus cerca de 30 anos em Moçambique, a 2 de Dezembro, no Centro Cultural Franco Moçambicano (CCFM), lançou a exposição “Gente e Lugares de Moçambique”, que esteve patente até 19 de Dezembro. Numa breve conversa Carneiro revela aspectos sobre a exposição e as suas perspectivas para o futuro.  
 


 Texto: José Gabriel 
Chico Carneiro Foto PERFIL
José Gabriel (J.G): Qual e a sensação que teve após proceder ao lançamento da exposição?
Chico Carneiro (C.C) – Expor é se expor. É muito gratificante saber que o meu sentimento ao fazer a fotografia foi (é) compartilhado por muitos corações e mentes. Sinto que o resultado dessa exposição é positivo.
J.G- Quanto tempo durou a elaboração da presente exposição?
Foram cerca de oito meses, mas não de uma maneira contínua. Digamos que quando eu parei outros afazeres para pensar na exposição, isto é, escolher as fotos finais que iria mostrar ao público (que é sempre a parte mais difícil), foram duas semanas.
J.G- Em que se inspirou?
C.C – As fontes de inspiração que formam a cabeça de cada pessoa são diversas e diferentes. A minha inspiração maior é a vida, a natureza. A fotografia é apenas o resultado daquilo que somos, que cada indivíduo é. Os olhares são sempre díspares, daí que uma mesma influência de formação, de caminhos de vida (se é que existem, geram olhares diferentes. Não existem 2 fotografias iguais…
 
J.G-O que motivou a realização da exposição?
C.C – A exposição foi o resultado de ter ganho, em Março deste ano, o concurso de fotografias anual que o CCFM promove. O prémio deu-me o direito de fazer uma exposição com o custos suportados pelo CCFM.
J.G – O apoio do CCFM foi suficiente para garantir a realização da exposição?
Apesar do apoio que o CCFM deu, fazer uma exposição demandava custos elevados. Tive de firmar outras parceiras, com o Kioske Digital e a Prodata, que garantiram a impressão das fotografias e impressão dos catálogos.
J.G- Na exposição podemos ver Moçambique do norte ao sul e do zumbo ao indico, que mensagem pretende transmitir?
C.C – Eu devolvo a pergunta para si (e para os espectadores da exposição): que mensagem vocês retiraram das minhas fotos? Fotografia é a arte de escrever com a luz. A minha parte está feita. E uma imagem vale mais do que 1.000 palavras…
J.G- Qual e a apreciação que faz sobre o mundo da fotografia?
C.C – Moçambique sempre esteve na vanguarda. Cá temos fotógrafos de muita qualidade artística e técnica. Os trabalhos de fotógrafos como Ricardo Rangel, Kok Nam, Carlos Alberto Vieira, Funcho, José Cabral, Jorge Almeida (recentemente falecido) para além dos álbuns do Santos Rufino, uma preciosidade rara, são mundialmente conhecidos.
Nos últimos anos, e sobretudo por causa do advento da tecnologia digital, novos e bem-vindos talentos vêm surgindo, tais os casos de Mauro Pinto, Filipe Branquinho, Paulo Alexandre, Yassmin Fortes, o Mário Macilau, a Magda e outros que à memória escapa. Enfim, a fotografia Moçambicana está em boas mãos. A nova geração está trilhando as sendas abertas pelos pioneiros.
J.G- Que mensagem deixa para os novos fotógrafos?
C.C– aconselho que estudem a fotografia e conheçam o trabalho dos grandes mestres da fotografia mundial. Também devem se expor à crítica. E parafraseando um grande pensador brasileiro – Millôr Fernandes: “o ser humano foi dotado de um pescoço que lhe permite ver 360 graus; então nunca olhe as coisas de apenas um ângulo”
 
J.G – Existem mais projectos similares para o futuro? Se existem, quais são?
C.C– Meu arquivo fotográfico possuí material para várias exposições. Certamente num futuro, não muito distante, outros trabalhos virão a público. Não dá para dizer exactamente quais são porque depende muito das oportunidades que surgirem. Uma exposição que ainda pretendo fazer será sobre os casamentos na praia de Maputo, que fotografei durante 2 anos…
 

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