O que se esconde por detrás das mascaras?

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MasquePara Falcão, Butcheca, Nelly e Nelsa Guambe as máscaras são mais que objectos físicos, tribais, religiosos ou decorativos. Através da pintura, escultura, e outras técnicas cada um destes artistas exprime, de forma espontânea, sua maneira de ver as máscaras numa mostra que esteve na sala de exposição do Centro Cultural Franco-Moçambicano de 5 até 28 de Novembro.  

Texto: Hélio Nguane

Masque
Butcheca comprou uma máquina do tempo e trouxe para o ano de 2014 uma criatura pré-histórica: Um reptil bípede (com duas pernas), semelhante a um dinossauro. Esculpido com arames, metal, cola, objectos reciclados e muita criatividade. A obra sem título é um convite para reparar para a exposição Masque.
A ideia de fazer uma exposição colectiva sobre as mascaras surgiu de Falção, há aproximadamente um ano, numa conversa entre amigos e membros do Núcleo de Arte. A paixão pela arte e a amizade era o laço que unia os quatro artistas.
As reuniram mundos diferentes
Falcão é o mais velho, nasceu em 1976 em Nampula. Vive e trabalha em Maputo. É membro da associação Moçambicana de fotografia. Expõem desde 1990. O seu forte é a pintura e a escultura, mas divide estas duas paixões com a fotografia.
Na exposição este artista expressou sua visão sobre as mascaras em esculturas talhadas em madeiras nacionais. Para Falcão todos têm uma máscara escondida, “o meu trabalho foi tirar e exibir em obras”. Nas suas obras Falcão cruza sentimentos, vivencias e traz o universo das relações entre os mais velhos e mais novos.
“A obra que mais me marcou na exposição foi Ntukulo (Neto em Changana, língua originaria da zona sul de moçambique). Lapidei a obra em pão preto e exprimi todo o meu sentimento. Quando olho para ela sinto um misto de sensações”.
Butcheca (1978) vive e trabalha em Maputo. Abraçou as artes em 1997 e expõem desde com frequência desde finais dos anos 1990. No seu currículo evidencia enumeras exposições colectivas e individuais em Moçambique e além-fronteiras (Portugal). A sua arte fala através das pinturas e escultura, na exposição Masque explorou estas duas vertentes.
Suas obras sem título, carregam mistério e despertam curiosidade. Na visão de Butcheca por detrás das mascaras se escondem os seres visíveis. Os rostos são uma mascara, o pensamento que expressamos é uma mascara, a primeira impressão que temos de uma pessoa é uma mascara. O pensamento, o rosto a primeira impressão escodem uma identidade, são carapaças que cobrem a verdade”.
Nelly e Nelsa (1987) são gémeas, nasceram em Inhambane, mas vivem e trabalham em Maputo. As duas formaram-se na mesma universidade (University of South Africa) em cursos diferentes. Nelly Ciências Politicas e Nelsa Administração Publica e estudos de Desenvolvimento. Elas trabalham em tempo inteiro nas suas áreas de formação.
Além de terem dividido o mesmo ventre, elas tem um amor em comum: as artes. Expõem desde 2011 e já participaram em mostras colectivas dentro e fora de Moçambique (Alemanha).
A pintura é o meio que elas usam para expressar os seus sentimentos. Suas técnicas são diferentes, mas em cada tela é possível encontrar um traço em comum.
Para Nelly as mascara expressa falta de identidade. “Eu não sou eu, existe uma identidade escondida pelas nossas vivências. Nesta sociedade é cada vez mais difícil sermos nós mesmos, encodemo-nos em mascarras e ocultamos a nossa identidade”.
Nelsa percebe que cada rosto em si é uma máscara. “O medo nos domina. Os seres humanos se deixam influenciar pelo medo e perdem a sua identidade. A cultura, a nossa cultura é uma das formas de recuperar a nossa identidade. Temos de procurar ser nós mesmos”.
Mariana Camarate abraçou a o desafio de ser a curadora da exposição. Ela fez o acompanhamento da produção dos trabalhos e selecção das obras. No catálogo sobre a exposição, ela conta como foi essa experiencia: “A minha participação neste projecto inicia-se com a proposta, por parte deste grupo, que rapidamente me deixou envolvida e integrada em todo o processo. A selecção dos artistas e a abordagem do tema já estavam decididos”.
Para os artistas o intercâmbio foi positivo. “Foi positiva, e o público veio em massa. Estou feliz por ver as pessoas a apreciarem a nossa arte, exprime Nelly. Na visão de Butcheca a exposição abriu espaço para cada um dos artistas explorar a temática e deixar a arte falar mais alto.
Falcão agradeceu a entrega dos meus colegas de trabalho. “Estou satisfeito, todos mergulhamos de cara no trabalho e produzimos arte”. Nelsa tem o sentimento de missão comprida. “a exposição é uma realidade, conseguimos. Tivemos a liberdade de expressar o nosso sentimento sobre as máscaras e mostramos o que se escode por detrás delas”.

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