Matiangola lança Jasmins e Chambre

0
201

“Quero quebrar barreiras construídas na literatura”

livro-27-11-2014O Centro Cultural Brasil Moçambique abriu suas portas, sexta-feira, dia 28 de Novembro para conceder a cerimónia de apresentação da obra “JASMINS E CHAMBRE”. A obra é da autoria de Nélio Nhamposse (carinhosamente chamado de Matiangola). A obra alberga contos, poesias, narrativas e outros géneros.


Texto: Pretilerio Matsinhe
livro-27-11-2014
Visivelmente emocionado no acto da apresentação do livro, ele levanta-se duma cadeira branca com solenidade, dirige-se ao público e diz: “não tenho rigorosamente nada a dizer sobre o livro”. E justifica-se: “neste momento cortou-se o cordão umbilical entre mim e o livro. Não tenho nada a debater, a explicar”, ponto final.
O autor acredita que “a descodificação da obra representa o ”eu” e talvez entrar um pouco na psicologia para perceber as sensações”, comenta o poeta enquanto ajeita a camisa de mangas curtas.
O prefácio esteve à cargo de Diana Mabunda, licenciada em direito. Em seus rabiscos, ela conta que a escolha desse tema não foi casual: a morte configura o maior perigo na vida, temor, a maior ameaça para quase todos os seres humanos que amam”.
“Esta obra junta vários géneros literários (poesia, contos entre outros). Fiz isto de propósito para quebrar um pouco das regras ou barreiras construídas na literatura”, conta.
“Ele é humilde, brilhante e com bagagem de leitura”, descreve o autor, Diana que acredita não ter conhecido o autor antes por questões de “imparcialidade no prefácio”. Mas Nélio define se como sendo “um jovem que sonha e regista tudo que é morte porque estou numa luta titânica pela vida, mas o meu sonho acaba num poema”.
Com pouca experiência no assunto, Diana conta que foi à convite dum amigo que prefaciou o livro. “Quando me convidaram não sabia o que devia fazer. Nem sabia o que se traz num prefácio porque não tenho o hábito de ler prefácios, vou directo ao assunto que me interessa”, justifica-se.
“O livro de Matiangola fala do amor, da morte e da vida. Traz-nos um novo género que são narrativas longas, poemas, portanto quebra barreiras na forma de abordar a literatura. O autor trouxe aspectos que chocam a sociedade”, conta e conclui: “a obra e inovadora”.
O autor também parece não fugir muito da regra e revela que “quando estamos no amor nos dão flores, quando morremos também, portanto em tudo que fazemos as flores estão lá”. Para ele, o livro apresenta a sexualidade e a pontificação do amor e da vida.
Entre um autógrafo e outro, aparentemente exausto, ele fala também das dificuldades enfrentadas no dia-a-dia: “há sempre dificuldades na publicação dos livros e a respectiva divulgação nos meios de comunicação social bem como o acesso às editoras. Penso que sobre essa questão devíamos adoptar políticas claras”, diz.
Sobre a inspiração: “Inspiro-me na sociedade, ela é o ponto comum de todos. A sociedade permite ter histórias para contar”.
Expectativa: “o leitor dirá”, resume aquele que sente se inconformado pela banalização da morte.
Matiangola (31 anos) é natural da província de Gaza. Licenciado em ensino de português, o jovem faz parte do movimento cultural kuphaluxa. Matiangola escreve há 8 anos e revela que não se sente realizado com o livro.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here