“Ele matou o cão tinhoso e levou o prémio José Craveirinha”

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cão tinhosoEram sensivelmente 17 h e 30min. Sobe ao palco um homem com gravata preta e casaco azul. Paulo Mabunda, Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Hidroeléctrica de Cahorra Bassa (HCB), com toda a convicção anuncia o vencedor do prémio literatura José Craveirinha: Luis Bernardo Honwana. Avaliado em mais de 700.000MT, o prémio foi anunciado sexta feira dia 28 no  Radisson Hotel.


Texto: Pretilerio Matsinhe
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“Nós matamos o cão tinhoso” (50 anos) nas prateleiras e bibliotecas nacionais, hoje é uma referência “obrigatória” da literatura Moçambicana. Patrocinado pelo HCB em parceria com a associação dos escritores Moçambicanos (AEM), a edição 2014 galardoa “uma obra, uma figura e um percurso”, expressa Ungulane Ba Ka Khossa, secretário da AEM.

“ Quem faz a literatura é o povo”

Luís Bernardo Honwana, 72 anos de idade, nasceu em Moamba, cidade de Maputo. Aos 17 anos decide abandonar a vida na villa e emigra-se para estudar jornalismo na capital. Seu talento fora descoberto pelo poeta José Craveirinha.

Com muita calma e humildade, ele se dirige ao palco para tecer alguns comentários. Sobre o prémio, ele acredita ser “ a literatura Moçambicana que se firma junto ao seu público e além fronteira”, exprime aquele que foi primeiro-ministro da cultura.

“O prémio se atribui a figura mais importante da literatura Moçambicana e é uma honra fazer parte desse reconhecimento”, diz aquele que é caracterizado por “inconformismo” pelo Paulo Mabunda e que “lutou pela busca da paz e justiça com uma forte esperança”.

Visivelmente emocionado (afinal não é para menos), diz não ter “nenhuma intervenção”. Honwana não poupa críticas no que considera ser o impedimento do acesso à literatura: “no nosso país há dificuldade do acesso ao livro, ele ainda é algo de luxo, isso nos faz sentirmo-nos distante do público”, manifesta o seu descontentamento.

Além de se ter identificado com as causas nacionalistas, ele faz parte do grupo da geração charrua. Honwana conta que “ quem faz a literatura é o povo” e que seus textos são de revindicação da liberdade.

 Sobre o estágio actual da literatura Moçambicana ele esgrime nos argumentos e conta: “a literatura está bem, e recomenda-se. É viva e pujante”, conclui.

 

“O que é dos homens é dos homens”

Visivelmente alegre e sempre bem-disposto, Calane da Silva se dirige aos convidados para falar do prémio. Com palavras finas e bem definidas, ele descreve o amigo como um escritor completo: “ele merece este prémio, é um pensador e não é só autor dum livro. Ele reflecte a cultura moçambicana, um intelectual de mão cheia”, descreve-o.

 “Os prémios incentivam a produção literária fundamentalmente através da leitura”, conta Calane da silva, lembrando ainda que “o público deve ter acesso aos livros”, diz.

Ungulane, autor do famoso “Ualalapi” não tem dúvida que o prémio é merecido: “Acho que é uma grande alegria, e reconhecimento duma vida inteira e da careira. É resultado do trabalho, e os prémios são como uma bóia para se chegar à praia”, expõe com muita convicção.

“A literatura não é como plano quinquenal, é preciso se incentivar a leitura nas escolas, bibliotecas, mas ela está bem, só queremos mais debates, mais livros”, comenta sobre o que considera o estágio actual da literatura Moçambicana.

Calane da silva, que já foi vencedor do mesmo prémio, conta que “a literatura é uma arte e deve ser desconstruída para ser construída” e que o que é dos homens é dos homens por isso “se os prémios literários nos dão força, eles remetem-nos também à fonte da essência humana”, expressa-se .

Em um toque mágico, Ungulane define a galardoação: “os prémios trazem uma nova dinâmica à literatura” e que “elas são a alma humana”, comenta Calane.

Rescaldo cultural

O evento foi também marcado por vários momentos culturais. Hortêncio Langa, artista Moçambicano de renome na praça, soltou o seu “sussurro” e conquistou o público que lá se fez presente. Com um aranhão aqui e acolá na viola, uma piadinha aqui, ele levou-os a “cheirar sua flor”, ainda que despertasse muita atenção com o seu “Nhandayeyo”.

Quem também declamou, cantou e dançou foi Tânia Tomé. Com sua “shoezia”, “marrabenta” e tanto outro tema de sua autoria encantou os convidados.

De referir que o prémio literatura José Craveirinha já foi ganho por Armando Artur, Eduardo White, Paulina Chiziane, Mia Couto, Calane da Silva, Ungulane Ba Ka Khossa e Aldino Muianga.

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