História da África do Sul apresentada na peça “Ster City”

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marc-alexander-nelson-mandela-colour-1Várias línguas contam a história da África do Sul na peça de teatro “ster city” que foi apresentada no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM) na última sexta-feira, 10 de Outubro. Sob direcção do francês Jean-Paul Delore, acompanhado de aromas sonoros na responsabilidade do também francês Dominique Lentine e apresentando pelos actores sul-africanos Lindiwe Matshikiza e Nicholas Welch.


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Há muitas formas de contar uma história, na ciência os historiadores é que se encarregam de o fazer. No cotidiano os jornalistas é que o fazem. O teatro, vezes sem conta também o tem feito, mas não com as mesmas técnicas dos dois anteriores, veste-se de humor para dar sabor a história. Jean-Paul Delore usou-se desta última para contar a história da África do Sul na peça “Ster City”, que “não começa do Apartheid, tem seu início há 3000 mil anos”, conta Lindiwe durante encenação. e sabe-se que África do Sul pode ser o “berço da humanidade”.
O espectáculo vai desmanchando todo o processo histórico das “terras de Madiba” no decorrer da encenação. A diversidade cultural que se pode encontrar naquele país, que em parte se deve ao facto de Holandeses, Ingleses, Indianos entre outros terem-se instalado ali. Sem se esquecer dos nativos. Essa mistura fez daquele país multilingue e os actores “abusaram” desse elemento, os discursos começavam em franceses passavam pelo português e inglês e terminavam em changana, zulu ou qualquer outra língua sul-africana.
O Apartheid que marcou de forma significativa aquele canto do planeta. O seu posicionamento racista e intolerante derramou muitas lágrimas e sangue dos nativos que por serem negros eram impedidos de circular livremente, de participar de forma activa na vida política do seu país. Esses elementos fizeram-se sentir na representação da peça que tinha um descendente de europeus como actor, Nicholas Pucle Welch e uma descendente de sul-africanos, nascida em Londres, Lindiwe Matshikiza.
A música se fez presente em muitos momentos da peça, os actores iam cantando e o instrumentista Dominique Lentine se encarregava do som, ouve-se a bateria, o piano entre outras sonoridades.
Os bastidores
A peça já foi apresentada sessenta vezes em diferentes países tais como França, África do Sul, Lesoto e agora em Moçambique. Ster City foi pensada na França, tendo iniciado lá a sua elaboração. Posteriormente Jean-Paul Delore foi a África do Sul onde começou a trabalhar com os actores. E para além do que Delore escreveu para o espectáculo Lindi e o Nick contaram pequenas partes da própria história.
Delore levou uma parte de si para a peça, pois como conta esta surge do “desejo de falar da história da África do Sul. Do hábito que tenho de fazer teatro com a música e o meu prazer de misturar as línguas. Há na peça falas em português, inglês todas outras línguas faladas lá na África do Sul”, outra razão que o levou a dirigir esse espectáculo foi o “encontro que tive com Lindiwe”.
O director não acredita que exista “uma realidade histórica certa” para ele “há várias versões possíveis. Nós normalmente conhecemos os clichés da história e no entanto é muito mais complexo”. E é essa a mensagem que pretende transmitir as pessoas que podem assistir a “Ster City”.
Para a actriz sul-africana com dez anos de experiência, Lindiwe Matshikiza, foi “muito interessante contar a história do meu país, desta forma”. Delore abriu espaço para a “improvisação e isso me deu uma grande liberdade de dar um outro ponto de vista das coisas e sem seguir determinadas regras como dos historiadores, pois o teatro permite isso, foi muito divertido representar nesse espectáculo”, contou a actriz.
Multilingue
Nicholas Pucle Welch é linguista, faz apresentações de Stand up comedy e é actor. Foi nessa última qualidades que se fez ao palco do Franco para contracenar com Lindiwe.
Na sua representação falou várias línguas para o espanto dos presentes, mas para o actor não foi coisa doutro mudo visto que isso faz parte do seu dia-a-dia. “Estou habituado ao palco, falo várias línguas, sou formado em linguística” esclareceu Nicholas.

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