Mário Macilau (Fotografia), Maria Chale (Artes Visuais), Jared Nota (Cinema e Audiovisuais), Sumalgy Nuro (Dança), Alberto Correia (Design de Moda e Vestuário) e Xixel Langa (Música) foram os grandes vencedores da 4ª edição dos Prémios Mozal Artes e Cultura, realizada na noite de sexta-feira, 28 de março, em Maputo. 

Cada um recebeu o prémio de 120 mil meticais como reconhecimento pelo seu trabalho nas respectivas áreas.

A cerimónia, inicialmente prevista para Novembro de 2024, foi adiada devido à instabilidade social em Moçambique, mas a celebração do talento jovem e da produção cultural moçambicana foi mantida com grande entusiasmo. Os Prémios Mozal têm como objectivo incentivar e promover artistas moçambicanos com menos de 40 anos, impulsionando suas carreiras e projetos culturais.

Mas quem são os vencedores?

Maria Chale – Artes Visuais

Formada em Arquitectura e Planeamento Físico pela Universidade Eduardo Mondlane, Maria Chale tem vindo a consolidar-se como uma das mais promissoras artistas visuais do país. A sua obra multidisciplinar, que utiliza grafite, aguarela e folha de ouro, tem-se destacado pela reinterpretação de narrativas espaciais, sociais e históricas. Iniciou a sua jornada criativa com retratos por encomenda em 2013 e, em 2019, realizou a sua primeira exposição individual, “Motif”. Desde então, a artista tem estado presente em exposições colectivas e individuais de grande prestígio, como “Vocal Streets: Poéticas do Quotidiano” (2022) e “Ecos à Penumbra” (2023).

Jared Nota – Cinema e Audiovisuais

Nascido em Nampula em 1995, é um cineasta que se tem afirmado pela sua abordagem inovadora ao cinema, combinando técnicas cinematográficas modernas com tradições culturais moçambicanas. Em 2018, co-fundou a Afrocinemakers, uma incubadora de cinema destinada a apoiar cineastas emergentes. O seu trabalho no curta-metragem “Ontogenesis” (2020) foi distinguido com o prémio no Concurso Nacional de Curtas e seleccionado para festivais internacionais. Actualmente, Jared é roteirista da telenovela “Maida” e continua a explorar novas formas de contar histórias culturais e sociais de Moçambique.

Sumalgy Nuro – Dança 

Vencedora na categoria de Dança, é uma artista com uma carreira multifacetada nas áreas de dança, música e teatro. Natural de Maputo, Sumalgy tem se destacado pela sua capacidade de integrar as expressões tradicionais e contemporâneas. Ao longo da sua carreira, trabalhou com coreógrafos e músicos renomados, como Ídio Chichava, David Zambrano e Horácio Macuacua. Além disso, fundou, em parceria com o Projecto Utopia, um programa na Mafalala para crianças em situação de vulnerabilidade. Mestre em Música Africana e Performance pela Universidade da Cidade do Cabo, Sumalgy acredita no poder transformador da dança e da música para fortalecer identidades culturais e promover mudanças sociais.

Adecoal (Alberto Correia) – Design de Moda e Vestuário

É um designer de moda que tem sido um verdadeiro embaixador da cultura moçambicana. Ao integrar elementos culturais tradicionais nas suas colecções, ele cria peças que refletem a riqueza da identidade moçambicana, ao mesmo tempo que adota uma abordagem moderna. As suas criações não se limitam ao vestuário, mas expressam um diálogo profundo entre o passado e o presente. A sua capacidade de combinar o tradicional e o contemporâneo com uma estética única fez com que se destacasse no panorama da moda moçambicana.

Xixel Langa – Música 

Ela é uma artista com uma carreira sólida e de enorme impacto na música moçambicana. Iniciando a sua carreira a solo em 1999, Xixel tem se destacado no cenário nacional e internacional, particularmente pela sua fusão dos ritmos tradicionais moçambicanos com influências contemporâneas. A sua música aborda temas de identidade, memória e transformação social. Com álbuns como “Inside Me” e “Vatekile”, Xixel continua a levar a sua música para festivais internacionais e tournées pela Europa, Ásia, América do Sul e África. Além da sua carreira musical, é também uma activista social que utiliza a sua arte para promover mudanças positivas em várias esferas da sociedade.

Outros Indicados e a Categoria de Teatro

Na edição deste ano, a categoria de Teatro não teve vencedores, uma vez que as obras inscritas não preencheram os critérios de qualidade estabelecidos pelo júri. Contudo, apontou a organização do evento, a ausência de vencedores nesta categoria não diminui a qualidade da produção cultural de Moçambique, que continua a ser marcada pela inovação e pela diversidade de expressões artísticas.

O vencedor do prémio na categoria de cinema e audiovisual, Jared Nota, expressou o seu orgulho e partilhou os seus planos de realizar uma longa-metragem, fazendo uso dos 120 mil meticais do prémio para comprar uma lente. “Vou economizar para fazer o meu filme”, disse, demonstrando a sua determinação.

Rogério Manjate, presidente do júri, referiu-se ao desafio de selecionar os vencedores, ressaltando a responsabilidade envolvida na escolha. “O potencial e a qualidade dos trabalhos apresentados tornam a decisão mais fácil”, comentou, ao descrever o processo de avaliação.

Lista Completa de Vencedores e Indicados:

Artes Visuais:

  – Vencedora: Maria Chale  

  – Indicados: Carina Ubisse Capitine e Pedro Halar Júnior  

– Fotografia: 

  – Vencedor: Mário Macilau  

  – Indicados: Hamir da Silva e Lillian Benny  

Cinema e Audiovisuais:

  – Vencedor: Jared Nota  

  – Indicado: Elvis Jucundo  

– Dança: 

  – Vencedora: Sumalgy Nuro  

  – Indicados: Alia Raúl Sumail e Osvaldo Passirivo  

– Design de Moda e Vestuário:

  – Vencedor: Adecoal  

  – Indicados: Matilde Manecas  

– Música:

  – Vencedora: Xixel Langa  

  – Indicados: Assa Matusse e Otis Selimane Remane  

O Futuro dos Prémios Mozal

A edição de 2025 dos Prémios Mozal Artes e Cultura reafirma o seu compromisso em reconhecer e promover a arte como uma ferramenta de transformação social. Para a ministra da Educação e Cultura, Samaria dos Anjos Tovela, as inovações dos prémios sublinham a importância da cultura como um dos principais alicerces da economia nacional.

“Acredito que, com um povo unido, a cultura pode ir além”, afirmou a ministra, ao lançar o desafio às associações culturais de integrarem as escolas no projecto “À Nossa Arte nas Escolas”. Samaria destacou os prémios como “faróis de oportunidades”, que revelam talentos que, de outra forma, permaneceriam escondidos.

Samuel Samo Gudo, PCA da Mozal, reforçou que a cultura é um pilar essencial para o desenvolvimento sustentável, sublinhando a necessidade de proteger e promover a identidade moçambicana: “A cultura é como uma chama, se não for alimentada, apaga-se. Não podemos permitir que a nossa identidade se apague”, afirmou.

Henny Matos, directora executiva da Kulungwana, explicou que o projecto tem como objectivo incentivar e divulgar novos criadores de diversas áreas, promovendo uma concorrência justa para todos. “Hoje, celebramos a nossa cultura, a cultura moçambicana”, sublinhou.

Os prémios continuam a ser uma plataforma essencial para a valorização do talento emergente e a celebração da diversidade e criatividade dos artistas moçambicanos. Para a próxima edição, espera-se ainda mais visibilidade para os artistas do país, consolidando a arte moçambicana no cenário global e reforçando o papel da cultura como um pilar fundamental para o desenvolvimento social e económico de Moçambique.

Desde a sua criação em 2018, os Prémios Mozal Artes e Cultura têm promovido um ambiente de competitividade no sector criativo, contribuindo para o crescimento cultural e o desenvolvimento de competências artísticas. Esta iniciativa é crucial para fomentar a criação de novos projectos, fundamentais para o fortalecimento da identidade nacional e o desenvolvimento económico de Moçambique.

Reveja a transmissão da gala aqui.