“Só faço música para a gente se conhecer” – Moreira Chonguiça

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Está disponível o oitavo álbum do músico moçambicano, Moreira Chonguiça. Intitulado “Sound’s Of Peace”, o CD é composto por 13 faixas e várias particiapações.
Trata-se de um trabalho através do qual o Jazzista funde as culturas e sonoridades moçambicanas num manifesto pela paz. O trabalho é fruto de experiências pessoais vividas por Moreira Chonguiça um pouco por todo o país, nos últimos anos. Reflete as andanças do saxofonista pelas diversas culturas que adornam o país em busca da paz como denominador comum.


“Só faço música para a gente se conhecer”, esclareceu.

Para produzir o álbum, Moreira Chonguiça mergulhou nos valores e crenças sociais, para trazer à superfície os ideiais da tolerância e igualmente como as âncoras da unidade e equilíbrio entre as diferenças que marcam os moçambicanos. O músico apresenta-se com o saxófone, como a sua marca, mas dá espaço a outras sonoridades e vozes de músicos espalhados pelo país, o que empresta ao álbum a ideia de unidade nacional.


“Precisamos falar de paz”, escreve o músico na nota de apresentação do CD. O mundo de hoje, continua, está confuso. “O mundo vive na base de incerteza, falta de confiança… hoje, o mundo não está em paz porque nós escolhemos não viver em paz”, defendeu.


O trabalho, cujas músicas foram ouvidas, ontem, em sessão aberta que teve lugar no auditório da Rádio Moçambique, resulta da colaboração de uma vasta equipa composta por engenheiros de som, produtores, fotógrafos, revisores e outros parceiros.


“ORERA KHURERA” ( que significa beleza, na língua Emakwa, na qual é cantada) é título da primeira faixa. A música enaltece a beleza da mulher, do meio e das culturas nacionais. Conta a colaboração de Onésia Muholove, Valdemiro José e Paulo Muholove, todos pertencentes à safra dos jovens músicos moçambicanos. Carlota José João e Raquel Akungondo emprestam a voz vibrante, de influência árabe, aos sons “Myadi Vya Imumu” (lágrimas da alma) e “Kweto ka Sidudu” (terra do Cassava), cantadas em Makone.
A língua chuabo passeia a classe nas cordas de Pureza Uafino, na faixa intitulada “Malowa Ihinnyala” (flores que nunca murcham), uma chamada ao respeito e cuidado pelos direitos da criança, como um dos caminhos para a garantia da paz e harmonia no futuro.

“Nakurhandza”, “Mamana Wanga”, “Nghwazi” “Hosi” são sons compostos nas línguas do sul. O CD conta, ainda, com as faixas “Songo”, baseada no som ambiente emitido pela albufeira de Cahora Bassa, sita na província de Tete, “Retardando” e “Kuyanakanya”, que convidam a uma introspecção, sobretudo na esteira das crises existenciais provocadas pela pandemia.

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