Sector da Cultura em introspecção

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Artistas, activistas, produtores e outros agentes do sector da cultura estão reunidos, em Maputo, para discutir os problemas e, de igual modo, propor soluções para os desafios com que se debatem no seu dia-a-dia.

A ideia é criar caminhos para que, através do mercado de artes e do sector da cultura, se consiga alavancar a economia nacional.

É, com efeito, a Primeira Conferência Nacional da Economia Criativa. O encontro – que decorre na Galeria do Porto de Maputo – discutiu, ontem, temáticas ligadas às subi-indústrias do cinema, música, moda, artes cénicas, artes plásticas, artesanato e a produção de eventos.

Cada uma das discussões foi feita pelos artistas ligados às respectivas disciplinas. Os cineastas estiveram reunidos no centro da Galeria do Porto de Maputo. Em círculo, os fazedores da sétima arte ao nível nacional mobilizaram energias, partilharam experiências, manifestaram inquietações, mas também pensaram nas saídas para os entraves que assolam o ofício que abraçaram.

“Há uma enorme vontade de fazer cinema em Moçambique, mas a falta de organização do sector inviabiliza a produção”, observa Sol de Carvalho.

Para o cineasta, há várias lacunas na produção e distribuição de filmes em Moçambique, pelo que é necessária uma maior organização dos profissionais de modo a dinamizar a área.

“Às vezes, as medidas que estão na própria lei não estão a ser aplicadas”, denuncia Sol, a justificar que “para mim, parece-me por medo, porque obrigam alguma confrontação”.

Se uma estação de televisão não paga pela transmissão de um filme, enquanto está escrito na lei que deve pagar, prossegue, alguém deve obrigar a televisão a fazê-lo. “Mas, depois, a televisão tem outros poderes e acaba havendo uma situação de confronto”, explica.

Um outro desafio levantado por Sol de Carvalho é a gestão dos fundos destinados ao cinema. No entender do cineasta, é preciso que se dê atenção às novas gerações de fazedores do cinema, porque devido aos custos de produção, se encontram em situação de vulnerabilidade.

“Os jovens estão travados. Há que dar mais espaço para os jovens. Este ano, por exemplo, podia haver regulamentos de concursos só para jovens. Ou a dar 80% para os jovens e o resto para os mais velhos”, considera, a acrescentar ser “necessário atrair mais recursos para o cinema”.

Sol de Carvalho falava na esteira da Primeira Conferência Nacional da Economia Criativa, evento a decorrer em Maputo, onde foi orador do painel subordinado ao “Cinema, Áudio Visual e Multimédia”.

O cineasta destacou ainda que o cinema moçambicano ainda não se configurou como uma indústria, muito por força da sustentabilidade da produção de filmes no país.

“A indústria é, por si, um sector de produção de mais-valias. Deve haver ganhos”, afirma Sol de Carvalho, a detalhar que “é muito difícil falar de indústria, quando na distribuição não se consegue recuperar o dinheiro gasto na produção. A não ser que se fale de uma indústria no sentido negativo”.

Hoje, o último dia da Conferência Nacional da Economia Criativa, vão ser discutidos o financiamento e os aspectos legais que orientam o sector cultural em Moçambique. A iniciativa é da Federação Moçambicana das Indústrias Culturais e Criativas (FEMICC).

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Encontra no jornalismo um espaço fértil para alimentar o gosto de narrar factos e partilhar experiências do dia a dia. Estudante finalista pela ECA-UEM, vê na leitura e escrita ferramentas indispensáveis para contar hi(e)stórias, exteriorizar-se e conduzir o mundo pelo caminho da luz e da boa convivência entre pessoas. Também tem formação técnica em Jornalismo e Multimédia e colabora com a plataforma Mbenga desde 2019. Tem, ainda, textos publicados em diversos semanários nacionais.

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