100 anos de Aníbal Aleluia

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No ano em que o escritor e intelectual Aníbal Aleluia, se fosse vivo completaria 100 anos, a Fundação Fernando Leite Couto (FFLC), inaugura, o que poderá despoletar numa série de homenagens que vão certamente acontecer até o dia 21 de agosto deste ano, como manifestou disponibilidade para esse efeito, Carlos Paradona, Secretário-Geral da Associação dos Escritores Moçambique.

A decorrer no dia 31 de março às 18.00 horas, com transmissão online na página do Facebook da FFLC, o sarau contará com o testemunho Juvenal Bucuane e os depoimentos dos escritores Lucílio Manjate e Suleiman Cassamo. Celso Muianga, editor da FFLC, irá moderar o evento e fará igualmente a leitura de um excerto da homenagem de Nelson Saúte.

Partimos do pressuposto que os escritores não morrem, nunca. “Dai dedicarmos uma singela homenagem a Aníbal Aleluía, um dos escritores de primeira linha que se revelaram tardiamente no período pós-independência e, mesmo assim deixaram vincado em letras garrafais, como uma referência nacional, o seu labor literário”, lê-se no comunicado de imprensa.

Prestar um tributo a este grande entusiasta das letras, constitui um dever da memória, que certamente reanimará o espírito de muitos moçambicanos. Aleluía foi um homem da Palavra e dos sete ofícios que acreditava que com a Palavra podemos construir um moçambique fraterno, consciente e plural.

Com este gesto singelo, a Fundação pretende celebrar um decano das letras e da cultura moçambicana e deste modo redesenhar futuros.

Recorremos as memórias que o escritor, jornalista e editor Nelson Saúte escreveu no elogio que dedicou ao autor de Mbelele e outros contos, para que se possa conhecer Aníbal Aleluia a luz dos seus próprios olhos:

“Da parte paterna, só conheço a genealogia até ao meu bisavô, precisamente Aníbal Aleluia, vindo, segundo me contaram os meus ascendentes, “muito de fora”. Meu avô, Henrique Aníbal Aleluia, e meu pai, Roberto, Roberto, eram naturais de Séui (Inhambane, cidade). Eu nasci na Península de Linga-Linga. Desde o meu bisavô, eu é que quebrei a tradição de construtores barcais.”

Saúte, que incluiu Aleluia no livro de entrevistas: Os Habitantes da Memória, o caracteriza como um leitor compulsivo, a contar que o escritor, ainda jovem, chegara a ler dez romances por mês quando frequentava a Escola de Professores. Prossegue definindo-o como um observador atentíssimo da realidade.

“Os seus escritos nasceriam desse olhar avisado (“os meus contos nascem da observação de factos do quotidiano, um gesto, uma palavra”)”, prossegue Nelson Saúte, sem deixar de se referir ao facto de era um nómada.

“Calcorreei Moçambique de tal modo que vivi no extremo norte (em Palma), em Angoche (a Leste), a Oeste (Zóbuè e em Espungabera) e aqui no Maputo, que conheço desde 1935”, contou Aníbal Aleluia. 

O escritor homenageado esteve para ser professor indígena, foi enfermeiro, escreveu para jornais e foi escriturário. Percorreu o país, o que lhe deu um profundo conhecimento das culturas que compõem esta vasta nação.

“Ainda se matriculou em Direito, contudo as adversidades da vida impediram-no de fazer o curso”, narra Nelson Saúte, sobre um homem culto, uma biblioteca ambulante que detinha um vocabulário impecável, tal era o rigor com a língua portuguesa.

Para além de assinar com nome próprio, Aníbal Aleluia escreveu sob diversos pseudónimos: Roberto Amado, Augusto António e Bin Adam.

O reconhecimento de Autores importantes para as artes e evolução da cultura nacional e internacional é uma tradição que a FFLC está a criar desde 2015, quando realizou dois colóquios dedicados ao centenário de Samuel Dabula Nkumbula, o primeiro locutor negro na história da radiodifusão do país.

O primeiro evento, que teve lugar no Auditório da Rádio Moçambique, contou com os testemunhos do falecido radialista João de Sousa, Eneas Comiche (actual presidente do Município de Maputo), o historiador Rui Laranjeira, para além dos jornalistas Luís Loforte e Edmundo Galiza Matos.

No segundo momento de tributo a Dabula, que mobilizador de actividades juvenis e precursor da introdução de línguas nacionais na rádio, aconteceu no Centro Cultural Municipal Ntsindya, tendo contado com as presenças ilustres dos ex-presidentes da República Armando Guebuza e Joaquim Chissano, para além de Eulalia Maximiano.

Dois anos depois, em 2017, a Fundação Fernando Leite Couto, celebrou o centenário da Revolução Russa – 17 de Outubro de 1917-, da qual resultou a primeira nação socialista do mundo, com sessões de poesia, bailado clássico e o lançamento do livro “Sombras de Outubro”.

Em 2019, esta instituição celebrou os 500 anos do artista italiano Leonardo Da Vinci com a realização de oficinas de Teatro, prosa, poesia e exposição da sua obra.

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