Cemitério líquido

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Cheias, de Bete Pontes

Por: Pedro Pereira Lopes

Era imensa a chuva. A vila ficou inundada e as pessoas embalaram os seus haveres e decidiram procurar por terra seca. A ponte que ligava a região ao mundo tinha caído, cortada ao meio, pela cólera do riacho. Um pai

resoluto que estava

decidiu fazer frente às ondas às braçadas, com os seus dois filhos nos ombros, a fazerem de barbatana. Mas a corrente era muita, e no meio da travessia, já desfalecia. Quando os três começaram a afundar-se, os filhos, que não sabiam nadar, deixaram-se ir. O homem, desfibrou-se, mas lá conseguiu.

Do outro lado do riacho, sentando, chorava diante aquele cemitério líquido. As suas lágrimas, de tão grande a sua dor, se diferenciavam do resto das águas: eram de um verde alface.

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