Filme Avó Dezanove Vence festival Plateau

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O filme Avó Dezanove e o Segredo do Soviético, do realizador moçambicano João Ribeiro, que venceu o PRÉMIO MELHOR LONGA FICÇÃO na sétima edição do Festival PLATEAU, no Festival Internacional de Cinema da Praia.

O anúncio dos vencedores foi dado na noite de último domingo, sendo que a Comissão de jurados festival deliberou e premiou as categorias previstas no regulamento, assim como acrescentou e reconheceu outros trabalhos que consideram ser importante dar visibilidade e encorajamento para próximas produções.  Antes de conhecermos a lista dos filmes vencedores, vamos conhecer a longa-metragem Avó Dezanove e o Segredo do Soviético.

O filme é baseado na obra homónima do angolano Ujaki. O filme teve a sua estreia mundial no inicio desde ano em Los- Angeles, estados unidos da America.

Esta obra cinematográfica resulta da adaptação feita ao romance, com o mesmo título, do escritor angolano Ondjaki. A ideia de levar “Avó 19” para a grande tela surge do fascínio que o livro criou em João Ribeiro, do conhecimento que tem da produção literária do escritor angolano e da amizade que partilham.

Orçada em um milhão de euros, “Avó Dezanove e o Segredo do Soviético” é uma co-produção entre Moçambique (Kanema Produções), Portugal (Fado Filmes) e Brasil (Grafo Audivisual).

Os palcos escolhidos para filmagens, que arrancaram segunda-feira e vão decorrer até ao dia 11 de Outubro, são as cidades da Matola (Bairro Hanhane) e Maputo (Costa do Sol, Coop e Ka Tembe).

O contexto apresentado no enredo deste filme é dos anos 80. A obra retrata uma história de amor e da profunda relação que as pessoas estabelecem com o espaço em que vivem. Por isso, Ribeiro considera este filme como sátira política e social.

A história decorre numa pequena vila Africana à beira-mar, a construção de um Mausoléu Presidencial ameaça a destruição as casas dos habitantes. Jaki e o seu melhor amigo Pi engendram um plano mirabolante para “desplodir” o monumento e salvar o bairro. Um plano condenado ao fracasso, não fosse a inesperada intervenção de um soviético cheio de segredos.

Como protagonistas desta longa-metragem, o realizador foi buscar um elenco de crianças que nunca tiveram contacto com produção de cinema, nomeadamente Keanu Bastos, Caio Canda e Thainara Calane Barbosa.

O realizador apostou também num naipe de actores moçambicanos de craveira. São eles Ana Magaia (que faz o papel de Avó Catarina), Mário Mabjaia (Velho Pescador), Adelino Branquinho (Senhor Osório), Cândida Bila (Dona Libânia). Estão igualmente Evaristo Abreu (Senhor Truales), Eduardo Gravata (Soldado 1), Elliot Alex (gasolineiro) e Iva Mugalela (Tia Antónia).

Ainda no festival, o filme cabo-verdiano Manuel D’Novas – Coração de Poeta, de Neu Lopes, esteve em grande no festival arrecadando os prémios de Melhor Longa Documental e Revelação Nacional.

A longa-metragem de género documentário retrata a obra de um dos maiores compositores cabo-verdianos de todos os tempos. Manuel de Novas, Manuel d’Novas ou Manel Masd’ Novas, nascido em Santo Antão em 24 de dezembro de 1938 e falecido em São Vicente em 27 de setembro de 2009, foi um dos compositores cabo-verdianos com maior reconhecimento a nível internacional. Batizado como Manuel de Jesus Lopes, Manuel de Novas escreveu músicas como Estrangêr ê um ilusão, Lamento d’um emigrante ou a tão conhecida morna Biografia dum criôl, entre muitas outras mornas e coladeiras e foi, por isso, considerado um dos mais importantes trovadores de Cabo Verde, e o compositor preferido de Bana, Ildo Lobo, Cesária Évora, entre muitos outros intérpretes que, até hoje, o cantam.

A Comissão de Jurados deu o PRÉMIO MELHOR CURTA DOCUMENTÁRIO ao filme Luís Humberto: O Olhar Possível, dos brasileiros Mariana Costa e Rafael Lobo. O documentário é um olhar poético e íntimo sobre a vida e o trabalho do fotógrafo Luis Humberto.

No festival, o filme brasileiro Neguinho/Blackie, de Marçal Vianna, arrecadou o PRÉMIO MELHOR CURTA FICÇÃO. O realizador da película aponta que no Brasil, ao dar um google, é possível encontrar inúmeras matérias que retratam o racismo sofrido por crianças negras em escolas.

“Neguinho é baseado na história real de Jéssica, uma mãe solo, estudante de publicidade que tem pouco tempo para estar com o filho. É no transporte público – entre Nova Iguaçu e a zona sul do Rio – que ela passa a maior parte do tempo com Zeca. Jovem e negra, Jéssica sempre está com pressa e através dos estudos e do trabalho, busca oportunidades que garantam um futuro para seu filho. Ex-aluno de escola pública, Zeca agora tem uma bolsa de estudos em uma escola de elite da Gávea, mas ele já não Masé mais a criança feliz e comunicativa de antes.  Jéssica então é chamada para uma reunião com Bárbara, a professora do seu filho. Bárbara, assim como Jéssica, é uma mulher negra e periférica. Em um encontro cheio de farpas, reflexões e visões de mundo diferentes, um veredicto é dado e o destino de Zeca precisará ser decidido”, lê-se na sinopse.

O PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI foi para o filme  Mia Couto: Sou Autor do Meu Nome, de Solveig Nordlund. O filme traz a vida do escritor Mia Couto e o seu processo criativo. 

O júri do festival foi composto por personalidades de reconhecido mérito, tais como Pedro José-Marcellino, Suely Neves e Patrícia Silva.  O corpo jurado referiu que neste ano em particular, as vozes dos artistas e cineastas, e o seu profundo empenhamento cívico, foi mais relevante que nunca. o Júri sublinhou que a programação foi inclusiva e representativa, com a presença poderosa de realizadores, vozes, e estórias frequentemente marginalizadas pelo mainstream.

O Júri do Plateau 2020 decidiu excepcionalmente atribuir um conjunto de quatro Menções Honrosas de curtas-metragens brasileiras. Justificaram que as películas contribuem para o enriquecimento do entendimento público de temas como direitos das mulheres, representação Negra, Africana e

Afro-Diaspórica. Os filmes cimentam a essencialidade do sector artístico brasileiro no espaço público, no espaço social, no espaço intelectual.

As películas eleitas foram os documentários brasileiros “Ser Feliz No Vão”, de Lucas H. Rossi dos Santos e Uma Força Extraordinária, de Amandine Goisbault, receberam a MENCÕES HONROSAS EX-AEQUO, na categoria DOCUMENTÁRIO. 

Já as MENCÕES HONROSAS EX-AEQUO, para a categoria de FICÇÃO foram para outros dois filmes brasileiros, nomeadamente, “A Barca”, de Nilton Resende e “Em Quadro”, de Luís Campos e Pedro Paulo de Andrade.

A 7ª edição do Festival Internacional de Cinema Praia, decorreu de 26 a 29 de Novembro, no formato on-line – respondendo à necessidade de prevenção do COVID-19. Foram 14 sessões da Mostra Competitiva, que foram visualizadas através da página do Facebook @CinePLATEAU, sempre entre as 15h e as 20h30, hora de Cabo Verde.

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