Já não se finta o streaming

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O consumo de música nas plataformas de streaming e serviços de vibratoques e toques de chamada é um caminho incontornável para a rentabilização do sector, defendem músicos e empresários.

Num contexto como o moçambicano, agravado agora com a pandemia, em que há dificuldade de venda física de discos por, em parte, falta de lojas e da cultura de aquisição desses bens, o comércio online mostra-se uma mais-valia.

A discutir “Como ganhar dinheiro através da música no mercado digital?”, num webinar organizado pela mogidi – Moçambique Digital em parceria com a Plataforma Mbenga Artes e Reflexões, Paulo Chibanga, G2 e Stewart Sukuma foram unânimes em assumir que o download, streaming e serviços de valor acrescentado para empresas de telefonia móvel, tais como Toques de Chamada (Vibratoques, Toque nice, Meu beat) toques de chamada são um caminho sem volta.

“Temos que deixar de dar downloads de graça”, disse o músico Stewart Sukuma, lamentando que “estamos a dar de graça a única coisa que temos, a nossa música”.

O intérprete moçambicano, com uma carreira que conta mais de três décadas, defende a necessidade dos desenvolvedores de plataformas digitais adaptarem os serviços de venda online as especificidade do mercado nacional e explicarem a sociedade sobre a natureza deste tipo de consumo.

A olhar, de forma particular, para o momento que o país e o mundo atravessam em consequência da pandemia da Covid-19, Sukuma não tem dúvida: “não há outra opção ao streaming, hoje não há espaços para venda de cds”.  

É no mesmo fio argumentativo que o autor de “Felismina” considera ser necessário convencer as pessoas a consumirem estes serviços. Recorreu a sua experiência iniciada em 1998, nos Estados Unidos de América, quando assinou com a CD baby que prestava-lhe o serviço de venda online e gestão de royalties para provar que vale a pena aderir.

“Valeu a pena porque, se calhar não teria ganho nada”, porém Sukuma frisou que “temos de promover a música, mostrando ao país e ao mundo que somos produtores de boa música para que essa opção seja realmente rentável para os músicos”.

Entretanto, a divulgação a que o artista se refere, como, aliás, reconheceu, requer um investimento financeiro alto e a existência no país de uma indústria da música. “E devemos fazer isto em conjunto, doutra forma talvez um ou dois podem dar certo e não o todo”, acrescentou.

Acompanhe o webinar

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É licenciado em Jornalismo, pela ESJ. Tem interesse de pesquisa no campo das artes, identidade e cultura, tendo já publicado no país e em Portugal os artigos “Ingredientes do cocktail de uma revolução estética” e “José Craveirinha e o Renascimento Negro de Harlem”. É membro da plataforma Mbenga Artes e Reflexões, desde 2014, foi jornalista na página cultural do Jornal Notícias (2016-2020) e um dos apresentadores do programa Conversas ao Meio Dia, docente de Jornalismo. Durante a formação foi monitor do Msc Isaías Fuel nas cadeiras de Jornalismo Especializado e Teorias da Comunicação. Na adolescência fez rádio, tendo sido apresentador do programa Mundo Sem Segredos, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique de Inhambane. Fez um estágio na secção de cultura da RTP em Lisboa sob coordenação de Teresa Nicolau. Além de matérias jornalísticas, tem assinado crónicas, crítica literária, alguma dispersa de cinema e música. Escreve contos. E actualmente, é Gestor de Comunicação da Fundação Fernando Leite Couto.

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