Hirondina Joshua ainda não sabe reagir à exposição do Correntes d’Escrita

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“Há forças boas nisso que ainda não sei dizê-las”, disse Hirondina Joshua, a propósito do lançamento do seu livro “Os ângulos da casa”, no Correntes d’Escrita, ontem, em Portugal.

Não significa nada objectivo, prosseguiu a poetisa, não ignorando a exposição do seu trabalho para um circuito maior de editores e leitores.
A escritora diz que a visibilidade não é má, mas “também não é tão boa”.
“O melhor disto é que fico motivada para estar mais perto de mim, do começo, como antes”, acrescentou.





Na cerimónia, que decorreu na Sala Sarilho das Galerias Euracini, transformada por estes dias numa galeria de arte, esclareceu o seu entendimento sobre o respectivo livro.
A autora referiu que esta casa que é abordada na colectânea representa um espaço metafísico e não objectivamente o significado quando pensamos na palavra “casa”.

“Esta “casa” é o encontro connosco “do modo mais puro”, ou seja, antes da socialização a que fomos sujeitos pela família e restante ambiente”.
A apresentação foi feita por Celso Muianga, editor da Fundação Fernando Leite Couto, que chancela a obra.
A primeira edição desta colectânea de poesia, “Os Ângulos da Casa”, foi publicada em 2016, em Maputo. No ano seguinte, a editora Penalux responsabilizou-se pela versão brasileira.
A poetisa é curadora, no site da Plataforma Mbenga Artes e Reflexões, das colunas Os Dedos da Palanca (dedicada à Literatura Angolana), Exercício de Retina (Literatura Moçambicana) e Letras do Atlântico (Portuguesa e Brasileira).
Hirondina Juliana Francisco Joshua nasceu em Maputo em 1987. Mais conhecida por Hirondina Joshua, é destaque na nova geração de autores moçambicanos e membro da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO).

Ainda ontem, o festival acolheu o lançamento da obra “Pedra de Toque” de Lélia Pereira Nunes, da Letras Lavadas.

Carlos Quiroga fez a apresentação. O galego referiu que para seu espanto “todo o mundo é bom neste livro”.

Na obra, diz Quiroga, a autora “mostra o melhor perfil das pessoas”. E virando-se para Lélia, avisou, “o que vende é o mau e o sangue”…
Mas Lélia não tem razão de queixa da procura pelo seu livro, pois “A Pedra de Toque” tem vendido muito bem na Feira do Livro e ainda estamos no dia de arranque do Correntes d’Escritas.
Lélia Nunes vem de Florianópolis (ilha de Santa Catarina) e tem vindo a estabelecer a ponte com a ilha de S. Miguel (Açores). Foi desta ligação que surgiram as 31 crónicas que espelham as suas vivências. Naturalmente, “são positivas, pois são o reflexo das minhas experiências”, referiu Lélia Nunes.

A coletânea de crónicas de Lélia Nunes foram publicadas inicialmente no jornal “Açoriano Oriental”, em que a autora aborda temas relacionados com a literatura e a cultura, dando especial ênfase às influências culturais e às vivências entre estes dois pontos de travessia do Atlântico, Santa Catarina e S. Miguel.
As crónicas foram reunidas em livro neste “Pedra de Toque” pela editora Letras Lavadas.

Moçambique no Correntes d’Escrita

Amanhã, Hirondina Joshua integra a mesa redonda que debate “Nas redes perdidos, os livros de amanhã”, a decorrer às 18:30.

Celso Muianga, por sua vez, irá moderar a mesa “Tenho medo da poesia”, que terá lugar no dia 20, às 18:00 horas.
O Correntes d’Escrita deste ano, que decorre entre os dias 19 e 23 deste mês, tem como tema “Celebrar a diversidade e a liberdade”.

O festival, que é o Encontro de Escritores Ibero-Americanos, é promovido pela Câmara da Póvoa de Varzim. Reúne cerca de 100 autores de 14 países.
Mbate Pedro, Lucilio Manjate, Nelson Saute, Mia Couto, entre outros são outros nomes nacionais que já estiveram neste festival.

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