Poema de Hera de Jesus

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Hera de Jesus
Hera de Jesus

Texto de Hera de Jesus

Maria Mulata

Cai a noite mansa lá fora, na tepidez da brisa, lembro do teu abraço
Aqueles dias, naquelas noites, naquele barquinho atracado à beira-mar, fiz-te meu beija-flor
Quantas vezes beijei a flor da tua inocência sem nunca me importar com a essência?

Será que ainda lembras, minha Maria mulata dos beijos efervescentes atiçados contra tua pele morena de cheiro virgem?
Serias o livro sobre o qual eu escreveria a nossa história, pena!

Esquecido no cais, consolo-me com lembranças, retratos sem volta
Vejo o bater das ondas sobre as pedras, e sonho com o teu gemer no meu ouvido
Eras tu, minha Maria mulata, tinha-te naquela noite, naquele barquinho, entre os meus braços
Mesmo sem amar-te, desejei-te como jamais desejaria mulher alguma
Ainda lembro dos teus choros, risos, blasfémias
Era tudo tão confuso, enquanto nos co-penetrávamos freneticamente
As tuas unhas enterradas sobre a minha carne, a minha espada no teu solo, nossos corpos suados e colados sob o olhar suspeito da mata
Minha Maria mulata, eras bela aos meus olhos

Pintura de João Timane

Suguei-te os seios suculentos, sabiam a manga
Despenhei no teu matagal, com a minha língua provei da fonte do teu mel, e no fim, para completar a minha descoberta empunhei a minha espada contra ti

Senti-te indefesa entre os meus braços
Senti-te felina no meu corpo, nada mais feliz senão entregar-me a ti, entregar-me a vida, minha vida és tu minha Maria mulata

***

Iyolanda de Jesus, mais conhecida por Hera de Jesus, nasceu aos 14 de Outubro de 1989, em Maputo, Moçambique. Começou a escrever desde cedo.
No ano de 2013 participou do concurso Prémio Mundial de poesia Nósside, tendo ocupado a 36° lugar na categoria de melhores poemas, com o poema intitulado “sou molwene”.
Em 2014, participou do concurso Somos poetas e tendo sido classificada para a antologia com o mesmo nome, com o poema intitulado” África negra”.
Em 2015, participou no III Concurso Internacional de Poesia – Prêmio Fernanda Castro, com o poema intitulado Esperança.
Em 2016, participou do concurso XVII literário Agostinho Gomes, com o poema intitulado As Capulanas.
Em 2017, participou do concurso internacional de Poesia Fernanda Castro, com o poema intitulado Magaiza(2).
Em 2018, fez parte da Antologia moçambicana, denominada Soletras Esse Verso, lançada em 2019 pela editora Fundza.
Tem contribuído com os seus textos para revistas como: Lidilisha,Soletras, Contioutras, Por Dentro de África, Escamandro, Avenida Sul e Mallamargens. É também membro da Confraria Brasil/Portugal.

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