+ Assa Matusse

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Recém regressada de uma série de concertos acústicos na Europa, Assa Matusse esteve no palco do Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo, com um vigor, um a vontade que, dela, desconhecíamos.

A Sala Grande já estava com os bancos preenchidos, quando a guitarra de Valter Mabas, o piano Nicolau Cauneque, a bateria de Stélio Mondlane e Nelton Miranda silenciaram as vozes ansiosas da audiência.

Preenchendo o espaço, a longa introdução, sem que nos apercebêssemos, era um prenúncio do que estava por vir. “Vem sorria”, ouvimos da intérprete a quebrar a nossa ansiedade. Foi a cantar “não adianta só sentar, resmungar”, de “Sorria”, quinta faixa do álbum, que Assa Matusse foi ao centro do palco.

De vestido preto, que de tempos-em-tempos prendia-lhe a atenção, a sua voz impôs-se. Em pé, entre assobios e ovações, a “A Menina do bairro” – tema que interpretou quase no fim -, foi recebida.

Suportada por uma banda entusiasmada, o espectáculo foi se desenrolando. Exibindo domínio dos temas, o conjunto, ainda em “Nyinyeni”, segunda interpretação, tinha, literalmente, o “Franco” a dançar a sua música.

Se quando, em Novembro, do ano passado lançou o seu álbum de estreia “+eu” vimos naquele mesmo palco uma cantora, nalguns momentos pouco solta, neste evidenciava-se maturidade e segurança. O palco e o público eram sua pertença.

Depois de “Challenge”, em constante interacção com a plateia, cumprimentando gente conhecida, fomos então dados a conhecer os temas, que vão para o próximo disco. “Som Beco”, foi o título através do qual percebe-se, que não fugirá muito da linha afro-jazz, que a marcou o trabalho anterior.

Uma voz cada vez mais consolidada vai, notavelmente, a destacando na nova geração da música feminina nacional e a manter este ritmo, em poucos anos assumiremos, que ela é, de facto, uma diva – não como essas construídas por mensagens publicitárias, que desconhecem ou ignoram a verdadeira acepção do termo.

Pelo que permitiu-nos ouvir o seu próximo trabalho terá ainda um toque de reggae soft, uma proposta leve.

“Sempre afinada, desinibida e envolvente”, como descreveu o José dos Remédios, jornalista do diário “O País”, Assa Matusse mais uma vez comprovou, como cá já escrevemos, que o estúdio consome algumas propriedades da sua vocalidade. Ao vivo é mais envolvente, é arrebatador.

Quando interpretou “For the moment” já tinha liberto vários “scat singings”, uma marca do jazz.

“Estranho” foi o tema com o qual fez duelo com a cantora sul-africana, Duduzile Makhoba. Duas vozes sublimes, mas Assa não permitia equívocos, a noite era sua. A convidada prosseguiu sozinha com uma faixa.

Numa brincadeira, que poucas podem, de volta ao palco, foi musicando a sua fala. Na verdade, há uma musicalidade, que lhe parece natural, tal evidencia-se nas entrevistas, que já nos concedeu. E foi com “Vuma-duduzile”, “Nitxintxile”, “Crazy e Fenomenal woman”, “Xihono”.

Sempre elegante lá ouve Mingas, aplaudida em pé, pela audiência. Nela aplica-se a máxima do vinho. Um duelo a cruzar gerações. Uma referência e uma estrela ascendente, entretanto, quando o assunto era cantar, tudo o que fomos escrevendo até este ponto do parágrafo cai por terra, pois, era apenas música.

Próximo do fim, outras músicas novas, “Mutxangane” e “Memória do bairro”. Entretanto, ficamos com a impressão, que poderia ter preenchido melhor o palco e não limitar-se apenas à zona central, sobretudo, porque não havia coristas – e nem demos falta.

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