Quando deixaremos de ser vítimas das chuvas?

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HÁ semanas, o nosso “É só um comentário” com um texto intitulado: “Chega de se escrever sobre chuvas na baixa de Maputo”, alertava para os efeitos nefastos da precipitação, anualmente, nesta época, sobre as cidades de Maputo e Matola.

No artigo chamávamos atenção ao facto de as águas das chuvas inundarem a baixa da capital e tornarem intransitáveis os bairros periféricos. Não ignorávamos igualmente que algumas famílias perdiam os seus pertences adquiridos em anos e anos de trabalho, de sacrifício, pois as águas, à busca de alojamento, hospedavam em suas casas.

O nosso alerta, porém, não previa que, na periferia da capital moçambicana, a Lixeira do Hulene fosse uma bomba-relógio. E explodiu na segunda-feira (19). O deslizamento de resíduos sólidos matou 17 pessoas. Outras cinco foram transportadas para o hospital.

Neste momento há várias famílias mergulhadas num profundo pesar pela morte dos seus e outras tantas a abandonar as cercanias do aterro que era suposto estar desactivado, segundo o plano anunciado, há alguns anos. A promessa era transferi-la (a lixeira) para Matlamele, no vizinho Município da Matola, o que ainda não aconteceu.

Se tivesse sido cumprida a palavra, cremos que não teríamos assistido, diga-se em abono da verdade, a estas mortes dos nossos irmãos junto ao aterro do Hulene. É certo que estamos aqui a colocar os pés num campo especulativo, porém, guiados por um saber popular que desfila pelas conversas corriqueiras regularmente: “antes vale remediar do que prevenir”.

O facto é que hoje nada se pode fazer, senão prestar apoio e conforto às famílias enlutadas, dar abrigo e todo o tipo de apoio possível às outras que estão a deslocar-se para o centro de reassentamento erguido às correrias pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), activado no mesmo dia da tragédia do Hulene.

Outrossim, é que não se pode deixar de explicar e responsabilizar a quem deveria ter previsto e não previu, a quem deveria acelerado a transferência do aterro e não o fez  porque a culpa não pode morrer solteira. Ora, as medidas punitivas têm o condão de disciplinar e, consequentemente, apelar à maior atenção e dedicação das pessoas que trabalham nesta área.

Por outro lado, tomando em consideração as previsões avançadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia de Moçambique (INAM), as chuvas não cessam até 28 de Fevereiro, esperamos que não aconteçam novos incidentes.

O espantoso é que anualmente a história se repete, cada episódio com as suas peculiaridades, porém nada de vulto, ao que tudo indica, é feito para mudar o rumo dos acontecimentos. Os exemplos são vários e, só para citar alguns, convidamos o leitor a observar o que acontece na baixa da cidade de Maputo, na Avenida da Malhangalene, e pontos do município da Matola e arredores que, por esta altura em que o leitor, sentado na poltrona a ler este artigo, estão inundados de água.

No meio deste desagradável cenário há uma pergunta que um silêncio fundo amordaça, que é: “até quando continuaremos vítimas das chuvas?”

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Acredito que pequenos gestos podem mudar o mundo. Encontrei no Jornalismo a possibilidade de reproduzir histórias inspiradoras. Passei pela rádio, prestei assessoria de imprensa a artistas e iniciativas. Colaborei em diversas página culturais do país. Actualmente sou repórter do jornal Notícias. A escrita é a minha arma”.

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