Amemos todos os dias

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EMBORA seja precária a confirmação da existência de São Valentim, santo que em 1969 a Igreja Católica abdicou a celebração pela mesma razão, o facto é que o suposto dia da sua morte, 14 de Fevereiro, é considerado em várias partes do mundo como o Dia dos Namorados.

Conforme reza a história ou mito (?), tratava-se de um bispo que recusou uma ordem do Imperador Cláudio II, na Roma Antiga, de que os casamentos estavam impedidos de ser realizados. Conta-se que esta decisão do supremo era guiada pela sede da edificação de um enorme exército e o casamento – consequentemente construção de família que criaria raízes e uma necessidade de preservação da vida – atrapalhasse a sua iniciativa.

Na clandestinidade, o bispo Valentim, entretanto, continuou a realizar casamentos, crente que o amor e a união entre duas pessoas que se amam é que constrói o mundo e não canhões e guerras.

Nós herdamos essa história e no dia 14 celebramos o Dia dos Namorados. A cidade fica colorida de vermelho e branco. Rosas, bijutarias, pelúcias, chocolates, bombons e variada guloseima é oferecida, sem contar com os jantares de gala em restaurantes, hotéis, pensões ou à luz de velas em acampamentos no topo de uma montanha, à beira mar…enfim fazem a agenda da data.

O amor está na ordem do dia. E para acompanhar o Santo Valentim, com arco e flecha e asas de anjo, está o Cupido – deus do amor para os romanos, equivalente ao Eros para os gregos -, responsável por paixões e encantos entre dois amantes.

As pessoas e a cidade ficam mais bonitas. No dia seguinte os sorrisos são largos e, em muitos casos, à medida que o tempo vai-se distanciando da data, os mimos e a atenção vão de mãos dadas com ela. Volta-se ao abandono de sempre e a vida prossegue na rotina de sempre.

Esta coisa de esperarmos por ocasiões convencionalmente estabelecidas para demonstrar sentimentos especiais é um dos caminhos para perpetuar o que já cantarolava o músico brasileiro João Gilberto: “tristeza não tem fim, felicidade sim”. Talvez, mas é possível prolongar a estadia da felicidade nas suas irregulares visitas.

É preciso que os gestos sejam manifestados todos os dias, sem propósito, sem causa, pois a felicidade não pode ter data e hora marcada. Ela simplesmente tem que acontecer, com a nossa concessão e decisão, claro.

Porém, não podemos limitar este amor à relação entre amantes. O investimento deve ser feito igualmente para com todos os próximos e, como canta Roberto Chitsondzo, em “Custa Dizer amor”, no sentido de “fixar residência no coração de toda a gente”.

É um facto que a vida é toda ela feita de turbulências, imprevistos, intempéries, que quase nos esquecemos que escrever uma mensagem simples e bonita, dizer sim sem nada em troca para além da resposta daquele sorriso estampado naquele rosto. Tal como disse um dia o jovem Wilker Francisco que junta refeições para oferecer a orfanatos só para ver o sorriso de quem recebe o presente.

Muitas vezes, depois de um dia complicado, de muita chatice e stresse e ainda por cima ter que lutar para, pelo menos, entrar no chapa independentemente das condições em que estará, nos tornamos intolerantes. Berramos e insultamos, quando a coisa não termina em pancadarias. A razão é que andamos sem amor, desamorosos e amargos… então vamos amar, fazer amor e multiplicar…o amor todos os dias. Ofereça flores, deseja bom dia, boa noite, faça o bem, seja agradável e simpático, agradeça: “obrigado”.

lEONEL2

Acredito que pequenos gestos podem mudar o mundo. Encontrei no Jornalismo a possibilidade de reproduzir histórias inspiradoras. Passei pela rádio, prestei assessoria de imprensa a artistas e iniciativas. Colaborei em diversas página culturais do país. Actualmente sou repórter do jornal Notícias. A escrita é a minha arma”.

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