Abstractismo dominou exposição “Phulile”

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ARTISTAS plásticos juntaram-se para uma mostra colectiva no Núcleo de Arte, em Maputo, intitulada “Phulile”, como forma de inaugurar o ano novo. A exposição encerrou ontem, depois de ter sido inaugurada na quarta-feira.

Trata-se de uma colectiva de Olga Dengo, Maria de Lurdes Macie (Mama África), Makolwa Bento Mulungo, João Paulo Quehá e Falcão.

A colectiva não tinha nenhuma intenção discursiva como tal que devesse orientar a curadoria. Estiveram expostas escultura, pintura e cerâmica.

Olga Dengo designou a mostra de “Jam session” levando em consideração que a mesma surgiu numa conversa informal à volta dos projectos que levam para o ano que acaba de iniciar. Daí que o título “Phulile”, em Rhonga, cuja tradução para português é “Abriu”.

“Foi a forma que encontramos de dizer aos artistas que o ano já começou”, justificou ela que trabalha a pintura, apelando os colegas aos “voltar a trabalhar”.

A exposição comportava 22 obras dispostas pela Galeria do Núcleo de Arte que normalmente é preenchida por uma mostra permanente, onde, actualmente, é possível encontrar trabalhos de artistas plásticos nacionais emblemáticos.

Para “Phulile” Quehá levou pinturas em que a realidade é representada com algumas formas que sugerem rostos humanos e outras mais – de difícil decifração -, num jogo de cores que dão movimento e drama aos seus quadros.

Mulungo, escultor, apostou, sobretudo, em máscaras humanas que inquietam a existência do individuo – sempre assumindo que os actos nada mais são do que a representação (ainda que) do imaginário individual.

Reconhecendo que o rosto, através do semblante, é um palco, donde se pode espreitar o estado de espirito de uma pessoa (e não podemos ver o nosso sem o auxilio do espelho, se não o do outro), a proposta do artista é – talvez até de forma desinteressada – convidar à introspecção.

Mama África, por sua vez, teceu missangas sobre a tela exercício que resultou num rosto feminino, negro, acompanhado por uma aura (sugere tratar-se de uma diva ou deusa), enquanto carrega um pote sobre a cabeça. A imagem está no centro do quadro, o resto é silêncio em cor branca. Noutra tela tece missangas coloridas, num abstracto.

O abstractismo, essa opção pela representação de uma realidade que não existe, fora do imaginário do artista, é o que abunda na exposição, Falcão e Olga, à semelhança dos colegas, optaram pela mesma via.

Esta é uma técnica, por acaso, criticada, conforme atesta a entrevista publicada no “Notícias” na edição de 4 de Outubro passado, pelo veterano Mankew que a considera uma fuga por onde a nova geração escapa do exercício que o realismo, por exemplo, exige pela minúcia no traço.

Samuel Djive, numa reportagem sobre o Núcleo de Arte publicada pelo “Notícias, respondeu que “o artista não se pode fechar, tem que experimentar outras possibilidades”.

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