Viajar por Kukavata (7)

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A juventude na ruptura

1. O amor é fogo
Sobre este tema, só posso dizer que, como praticante das artes para educação, senti-me valorizado. Acredito que Luís Vaz de Camões também sentiria se valorizado. Muzila burlou o culto à mediocridade e chamou a Sheila para apelarem a excelência. Para cantarem sobre o amor, sobre aquele sentimento que supera tudo, que faz as pessoas viajarem.

Obrigado. Se na 9 classe tivesseeste texto com ajuda desta música, as minhas notas teriam sido excelentes, juro.
1. Lirandzu timbiloni
Cheny wa Gune, do Timbila Muzimba é convidado neste álbum e comportou-se como um verdadeiro Machope. Estes, quando são convidados, porque as visitas costumam levar mais que dois dias, carregam consigo um galo, mandioca, milho já molhado para ser moído ou a própria mbila. Foi chamado para a festa de Kukavata, levou sua marimba e lá foi kavatar mesmo. Trouxe os ritmos de ngalanga misturado num jazz muito bem enfeitado pelos sopros. Grande fusão esta, a mostrar mais um dos caminhos que a música moçambicana deve explorar. 
2. Ndlala
Mais uma vez, Chitsondzo aceita o desafio de se fazer de Pedro, numa música que mostra uma revolta pela situação da fome. A primeira intervenção é elucidativa da situação do país: “ Unga Hlamali loku vaku kombela mitirhu vanu lavo/ Vanu vanga dondza lava mani/ valava xikafu va lava ku etlela ( não te admires se esse pessoal te pedir emprego/ tão estudados, mas ainda lutam pela comida e habitação). Pedro dá contribuição ao coro na reclamação dos jovens no desemprego, sem habitação e que ainda lutam por um salário que só lhes permite comprar um saquito de arroz. Estamos num país esfomeado, na barriga e nas ideias, um país na desgraça e com uma nudez. A pobreza que chega aos extremos tira a lucidez a qualquer um. Estranhamente, damos vivas aos recursos que por cá abundam. Esses recursos estão sendo transformados em fontes para riquinhos e não produz riqueza que faça sorrir o povo.
Mais um tema do Pedro bem recriado e com uma grande novidade. Convidaram o rapper Flash e ele entrou no espírito da coisa. Vale a pena transcrever a intervenção muito bem repada por ele:
Atira semente na terra de Samora Machel
Procura o teu xikhafu e organiza o quartel
Pobreza mental e pior com a fome
Camarada, salário ganha-se com trabalho
Com uma enxada na mão
Cultiva a nação
Cuidado com as drogas 
Não viva sem a razão
Há muita fome no pais
Povo não é feliz
Procura a raiz do problema e resolve
 A escola e a riqueza da nossa juventude
Mas se vive com a pobreza não vive com saúde
Fazes sacrifícios
Terás benefícios
Fica longe dos vícios e vá a luta.
Depois disto, só posso recordar que também cortaram aquela parte de mapiko que fazia eco na música. Provavelmente por perceber que nem força para dançar temos, tão alto é a nossa dívida, para ser paga por indivíduos já esfomeados.
Quem são os obreiros deste Kukavata?

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