Saudades da minha avó!

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Por Celestina Marques

Embora já adulta e com meus próprios filhos, lembro-me bem duma parte da minha infância. A parte mais preciosa, a minha avó mater-na. Não que eu quisesse fazer preferências, mas não tive a oportunidade de conhecer outras.

A minha avó, vovó “MAVU’’, tão doce a mi-nha avó, lembro-me que ela vivia longe da minha cidade, e víamo-nos poucas vezes ao ano, normalmente só aos finais de ano.

Uma velhinha muito humilde, muito sábia, vivia isolada, em sua palhotinha, lá no fundo do quintal do seu filho mais velho. Não sei o porquê, na altura não quis perceber.

Avó MAVU, ou, por outra, ‘MAVU”, era as-sim que eu a chamava gritando, correndo para os seus braços, sempre que a via a entrar, pelo portão da minha casa.

Ela recebia-me cheia de alegria, me abraça-va forte e me enchia de beijos.

Embora eu não percebesse a língua que ela falava, podia sentir a expressão de felicida-de, que o seu rosto me transmitia.

Eu ia ajudar a minha mãe, com as trouxas da vovó, arrumava tudo no quarto de hóspedes, e corria logo para a cozinha, para ver as coisas que ela trazia. Gostava mesmo daquelas bananas baixinhas e bem do-ces, a que chamávamos banana maçã. Algo algo que nunca procurei saber o porquê do nome.

Noites como aquelas, eram de muita felicidade, pois dormíamos tar-de, tentando escutar as novidades que a vovó trazia. A mamã esten-dia uma esteira grande, no quintal de casa, onde nos sentávamos, eu e os meus irmãos, à vol-ta da avó MAVU, escu-tando as sua histórias, que a minha mãe fazia questão de traduzir para nós, porque não percebí-amos bem a língua dela.

E assim passávamos uma parte da noite, ou-vindo histórias, e co-mendo maçarocas, que a mamã assava.

Saudades da minha avó, das suas canções, das suas carícias, dos seus carinhos e daquele MAHEU gostoso, que só ela sabia fazer.

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