E SE TODOS CRIASSSEMOS A REBELIÃO

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Escrito por Dionísio BAHULE

Uma semana sem comer; e uma outras sem sexo. Até que cada parceiro/a se insurja; que faça essa coisa de ultrapassar os bons modos de conversar. Gritar; chutar os móveis; até mesmo parar de beber – essa é uma boa cartada. Os fazedores do álcool também se juntariam a NÓS. Caso as duas semanas não façam resultar algo, podemos pensar em mais uma – por exemplo – não tomarmos banho. Isso implicaria também ao não limpar os dentes. A culpa seria dos Thikyt. Dessa banda que apareceu. Fez-nos cantar. Dançar. E termos o orgulho de pertencermos a uma pátria que foi pensada pelos artistas. Esta rebilhão deveria ser feita até pelo Presidente da República. Ele sabe. Que a arte tem essas coisas todas de nos fazer voltar para a nossa casa interior; a essa coisa que nos recolhe para o silêncio.
Verdade, a rebilhão terminaria depois dos Thikyt prometerem a NÓS; NÓS que transitamos e a aprendemos a ruminar a sensibilidade por aquilo que nos deram em apenas um Álbum. Eles. Que não se enganem. Já não pertencem a eles próprios. Eles são nossos. Nós o cidadão.

Prometemos. Iremos parar o assalto a tranquilidade familiar depois de regressarem ao convívio do palco.

Não é justo. E eu sei que para todos vocês – também não.

É justo mesmo – tornar-se indiferente ao mungano; ao dinguissa; ao baybele (essa tecitura estética que nos força a pensar a fractura criada pela moderna forma de relações – uma quase continuada procissão do kokwane – uma conseguida interrogativa formulada por uma neta que chama por sua avó para ritualizar a chegada de um novo ser).

Depois desta.

Repartiremos a alegria de ser com eles a medula de uma estética que nos interpela; nos refina mas também – nos dobra a relermos os sinais do tempo. Buya – esse fabulário telúrico entre a denúncia e o chamamento transita com todos para uma noção de pertença a concretização do que somos.

Que não nos digam de longe – que no dia 21 de Junho de 2015 cantaram no Mapiko da Casa Velha para celebrar o fim da décima segunda edição do Teatro do Inverno. Isso não conta. É bom que esqueçam! Queremos que nos permitam-me por meio da Arte aceder ao que há de mais nosso como seres.

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