Foco no objectivo

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BANQUETES repletos de fartura são a marca de celebrações especiais, e a transição do ano é uma dessas ocasiões. Embora seja apenas a progressão do calendário, é um marco simbólico que alimenta a renovação de esperança e o reactivar de expectativas em relação ao que se pretende para a vida.

A transição do ano, pouco depois do Natal, é outro dos escassos momentos em que se consegue juntar amigos e familiares num mesmo espaço, por razões felizes, alegres, para a partilha de mimos, em abraços sinceros regados de palavras de amor e votos de prosperidade.

Nesses momentos, alguns optam por viver uma realidade diferente da que o seu quotidiano se configura. O investimento começa da indumentária à transitabilidade, nas vésperas, pelas ruas da baixa da cidade de Maputo, que se torna ainda mais deficitária devido ao movimento de pessoas à busca de tudo. O mesmo se verifica nas lojas da classe média. Branco e vermelho ficam na ordem do dia.

Valores monetários são investidos na reserva de mesas em hotéis de luxo para toda a pompa e circunstância. Outros viajam para espairecer, sentir uma brisa diferente da habitual. Quem fica recheia a dispensa acima do comum.

Muito dinheiro circula em Dezembro para alimentar a quadra festiva, que são, essencialmente, os dias 25 (e por tabela 24 e o 26), 31 de Dezembro e 1 de Janeiro (inevitavelmente 30 de Dezembro e 2 de Janeiro). Reconhece-se a simbologia das datas, mas questionamos se o consumismo não estará a eliminar o exame de consciência sobre o que foi o ano findo e perspectivar o que será o ano que está a iniciar?

Os gastos acima das capacidades do bolso reflectem-se logo a seguir. Se na primeira semana do mês de Janeiro ainda é possível sobreviver com as sobras do réveillon, a partir da segunda semana já se vive, em muitos casos, de rastos, até que chegue o final do mês – para quem vive de salário – ou uma “bolada” – no caso de conta própria.

Essas são as primeiras evidências de que a euforia não passou de mero prazer desprovido de consciência e de planeamento financeiro adequado à situação. A emoção falou mais alto.

Os votos de prosperidade, as expectativas, os projectos, os sonhos só poderão materializar-se caso haja mudanças de atitude e determinação em relação ao que se pretende, caso não se mude os comportamentos que comprometeram os planos no ano transacto, não haverá milagre que os torne possível.

As celebrações não nos podem subir à cabeça, porque são apenas momentos, curtos episódios passageiros, para recarregar as energias e as forças de modo a enfrentar os desafios, oportunidades, derrotas e vitórias que a vida tem à nossa disposição.

Até porque para se comemorar não há datas específicas. Todos os dias são uma dádiva. Uma nova chance para acertar, crescer, avançar… Daí que era suposto celebrar todos os dias, do amanhecer até ao momento em que vamos repousar.

Mudemos de consciência, mudemos de postura, façamos o planeamento financeiro das nossas necessidades, sejamos determinados em relação às nossas lutas e resistentes a intempéries que, sem cinismo e/ou qualquer outra falsidade, teremos que enfrentar no ano que agora começa, para que, no final, todos os nossos projectos constem do nosso repertório de realizações.

lEONEL2

Acredito que pequenos gestos podem mudar o mundo. Encontrei no Jornalismo a possibilidade de reproduzir histórias inspiradoras. Passei pela rádio, prestei assessoria de imprensa a artistas e iniciativas. Colaborei em diversas página culturais do país. Actualmente sou repórter do jornal Notícias. A escrita é a minha arma”.

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