Estamos a confundir o conceito

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Por: Leonel Matusse Jr.

Noto com satisfação que o Jornalismo Cultural vai se tornando assunto digno de debate na nossa praça.
Vários actores, entre eles, intelectuais, pesquisadores, docentes universitários, jornalistas, artistas e leitores esgrimem as suas opiniões e constatações.
Esse debate é bom, entretanto tenho notado uma certa falta de atenção no objecto em discussão.
Algumas opiniões questionam, ancorados nos conceitos antropológicos de cultura, sobretudo no de Eliot Taylor, porquê chamar de Jornalismo Cultural a uma especialidade que está simplesmente virada para as artes?
Nalguns casos esse tem sido o mote de parte significativa do debate, pois há quem diga que os jornalistas não estão a fazer jus as exigências que a designação congrega. Criticam o facto de só escrever sobre arte e ignorar os outros elementos da cultura.
Mas eu penso que não é bem assim. Me parece que o equívoco é pegar nas palavras Jornalismo e Cultura, de forma separada e interpretar o seu casamento de forma literal.
O que me parece escapar é a percepção que Jornalismo Cultural é um conceito que designa a produção jornalística que trabalha com conteúdos artísticos.
Lopes escreve que todo o jornalismo é cultural, obedecendo o conceito do do Taylor. Ou seja, a forma como nós gerimos a nossa economia é cultura, a forma como concebemos a política igualmente e por aí vai. Mais subsídios para sustentar este posicionamento podem ser dados pelos culturalistas, como, por exemplo, o Stuart Hall.
Para melhor desenvolver o debate eu penso ser pertinente ter-se o domínio do conceito do objecto e só depois mergulhar nas suas nuances.
Outro ponto, até já vinha sendo debatido no Facebook, e foi amplamente repetido no Seminário  e de Jornalismo Cultural, é que um dos pressupostos básicos para estarmos diante do Jornalismo Cultural é a crítica.
A crítica, conforme avançam alguns pesquisadores como o brasileiro Frantchiesco Ballerine, tem a função de filtrar os objectos artísticos.
Outro teórico, Daniel Pizza avança com outra função, a de descodificar o objecto artístico e torna-lo acessível a qualquer pessoa.
Não obstante, é preciso notar que nesta secção, nem todos estão virados a crítica, existem alguns que simplesmente são repórteres culturais e os que  são críticos. Porém ambos são jornalistas culturais.
Entretanto no nosso contexto, devido a escassez de recursos humanos, o que mais temos são repórteres culturais. A crítica exige tempo e recursos que ainda não temos, por isso a escassez.
Em jeito de conclusão, penso ser necessário perceber-se o conceito e adequa-lo ao contexto no qual está a ser aplicado.

 

IMG-20170326-WA0005Leonel Matusse Jr.

Acredito que pequenos gestos podem mudar o mundo. Encontrei no Jornalismo a possibilidade de reproduzir histórias inspiradoras. Passei pela rádio, prestei assessoria de imprensa a artistas e iniciativas. Colaborei em diversas página culturais do país. Actualmente sou repórter do jornal Notícias.  A escrita é a minha arma”.

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