“Xuma – Tesouro”, composição de música clássica do compositor moçambicano em ascensão Estêvão F. Chissano, teve a sua estreia ontem no Pavilhão Centro de Portugal.

Interpretada pela Orquestra Clássica do Centro e dirigida pelo maestro Sergio Alapont, a obra deste prodígio, em grande medida lapidado pelo Projecto Xiquitsi, foi uma das três vencedoras do Prémio Anual de Composição António Frangoso.

O galardão que Chissano recebeu foi consequência de ter sido um dos três jovens indicados pelos júris do certame, como ditam as regras. José Gabriel e Francisco Fontes foram os outros dois nomes escolhidos.

Neste sentido, estiveram envolvidos os compositores e professores Dimitris Andrikopoulos (Escola Superior de Artes e Espectáculos – Porto), Luís Tinoco (Escola Superior de Música de Lisboa) e Sérgio Azevedo (Escola Superior de Música de Lisboa).

— Sendo este último o que me indicou para o prémio e me orientou durante a concepção da obra Xuma – Tesouro — esclareceu Estêvão Chissano na breve conversa que teve com a Mbenga, via WhatsApp.

Com efeito, a apresentação de ontem foi a terceira de obras deste jovem prodígio na sua actual estada em solos lusitanos.

A primeira foi nos Encontros Acúsmaticos do Projecto DME/Lisboa Incomum (coordenado pelo compositor e professor Jaime Reis), na qual foi executada a peça O último suspiro – The last breath, para trompa e electrónica, no Goethe-Institut.

A segunda, contou-nos, ainda no metro, a caminho do Pavilhão Centro de Portugal, foi no concerto dos Coros Geral e de Câmara da Escola Superior de Música de Lisboa, coordenado pelo maestro e professor Paulo Lourenço, no evento de encerramento do semestre. Nessa ocasião, foram interpretadas as obras Kutwana Ka Wusokoti (arranjo de uma canção tradicional para coro a capella) e Soul is like a bird.

Estêvão Chissano, um dos frutos vistosos do Projecto Xiquitsi, está em Portugal desde Setembro de 2024, em formação, com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian que lhe permitiu pagar a passagem e suportar as despesas.

A bolsa foi concedida de forma excepcional, com suporte e recomendação do professor e compositor Sérgio Azevedo.

— Ele entrou em contacto com a Escola Superior de Música de Lisboa, na pessoa do director, para que me recebessem, e também com a Gulbenkian, para que eu tivesse a possibilidade de receber o apoio — escreveu-nos Chissano.

Estêvão já tinha sido bolseiro da Gulbenkian (através da Procultura) em 2020, quando esteve em Portugal pela primeira vez. Igualmente, beneficiou-se do apoio desta instituição em 2022, quando foi ao Brasil para uma residência artística no Neojiba (um dos projectos que inspirou o Xiquitsi) e, no mesmo ano, em Cabo Verde, em Mindelo, aquando da Primeira Mostra dos Artistas Residentes Procultura em Mindelo.