MFW: Doutor dos Tecidos: Fazer roupas para reanimar panos descartados

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No terceiro dia de desfiles na passarela da 18ª edição do MFW, Doutor dos Tecidos mostrou que é possível vestir-se de panos reaproveitados. O estilista apresentou um conjunto de roupas feitas, totalmente, de farrapos e outros materiais descartáveis, inspirado no ideal da sustentabilidade do meio e na preservação de memórias pessoais e colectivas.

O conceito é simples: fazer da máquina de costura instrumento de reabilitação de tecidos e, com ela, recuperar panos em vias de perecimento. Através da colecção que comporta peças formais e informais, feitas para homens e mulheres, o estilista assume-se como um médico numa sala de reanimação, a cuidar dos tecidos com zelo, dando-lhes uma outra vida e expressão.

A capulana e o Jeans são os mais presentes, mas também aparecem sobras de outros panos a servir de enfeites e materiais de acabamentos. No entanto, não só de panos se faz a colecção de Doutor dos Tecidos. Restos de plástico e do fruto de coco também são reutilizados para confeccionar novos artigos, a provar que através da moda é possível defender causas ambientais.

O estilista produz saias, calções, blusas, calças, camisas e não só através da técnica de reciclagem. São peças feitas a partir de cortes e desenhos rigorosos, a seguir o traço versátil e detalhado, operado nos diversos tecidos trazidos de volta à vida através da colecção. Mais do que fazer roupas, Doutor dos Tecidos cria alternativas de uso e reaproveitamento de matérias que, se descartadas, prejudicam o meio ambiente, a contribuir para a fraca qualidade de ar e da vida dos ecossistemas nele existentes.

Viajar no tempo através de roupas

Por sua vez, Beto Sumo optou por produzir vestimentas tendo como base o tempo. Fez roupas em estilos remotos, mas também actuais, a apresentar vários contextos, na mesma colecção.

O estilista viajou no tempo com destino à Europa medieval, de onde trouxe vestidos abertos e longos, típicos das classes sociais mais poderosas da época. Veste homens e mulheres, num conjunto através do qual se pode ver gentes do campo e das cidades a partilhar a mesma passarela, com glamour e estilo.

Além de vestidos, calças, camisas e casacos, o trabalho apresenta adereços como bandoletas, muitas vezes decoradas de pedras brilhantes e de valor, peles de animais e chapéus. Trata-se de um conceito que (re)úne gerações de diferentes tempos e geografias, através do vestir.

Doutor dos Tecidos e Beto Sumo fizeram parte dos cerca de 30 estilistas que levaram o público a experimentar novas sensações e conhecer novos cenários, durante o terceiro dia de desfiles na passarela da maior montra de moda no país.

Mostraram tecidos variados, trabalhados com base na multiplicidade de técnicas que a moda e oferece, através de conjuntos espelhados no lema “My World” – Meu Mundo, que é o fio condutor da 18 edição do MFW, a decorrer no Hotel Montebelo, em Maputo.

Para hoje, quarto dia consecutivo de desfiles, o MFW preparou um programa que inclui dois workshop’s dirigidos por André Fonseca Ferreira e Inês Trabez. As oficinas orbitam em torno das temáticas da “Disrupção & Futuro da Moda” (Disruption & Future of Fashion) e “Os negociantes de arte do mundo dos negócios” (The Art Dealers of the Business World).

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