O medo entre os meus dedos

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Hoje mandei mensagem para Vida, às 12:13, respirei fundo, senti que meu estômago roncava, estava trémulo de fome, comi enquanto olhava para os modelos prontos para a muda de roupa, deixei a xima quente passear na minha boca, o vapor a sair pelas narinas, enquanto reflectia sobre a tarefa que há dois anos não consigo concluir, os calafrios que sinto só de lembrar que tenho tarefas que devia ter finalizado em 2016, é complicado ser eu, vestir estes cabelos curtos, duros, esta consciência conturbada, por vezes, me tira o sono, só tenho menos de dois meses para fechar portas abertas noutro década, que tinha outra Vida, outras metas, outros sonhos, desejos, anseios, alguns que ainda anseio, que caricato olhar para mim sem o corte, sem a juba, lutando para não pôr um ponto final, só com virgulas, por mais que alguns problemas prometem cortar os pulsos, enfiando minhas esperança afundada numa banheira com água morna, que torna meus dedos murchos, meus olhos pesados, sem forças para contribuir com gotas cristalinas para transbordar as coisas das quais estou tão cheio, a memória está cheia, meu celular está cheio, a mensagem da Vida entrou às 10h05, mas só vi as 13:00, é a vida, me mostrando que o que é nosso por direito por vezes vem no seu tempo mas só chega a nós no tempo que as externalidades decidem.

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