Camões foi ao Brasil este ano

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Depois de Paulina Chiziane, a primeira escritora moçambicana e negra a receber o Prémio Camões, em 2022 Silviano Santiago, escritor, professor e crítico brasileiro foi o galardoado.

Aos 86 anos, o autor de “Uma Literatura nos Trópicos”, “Em Liberdade” e “Mil Rosas Roubadas” – apontados como os seus livros mais destacados – vence a 34.ª edição do Prémio Camões, o mais celebrado prémio literário de língua portuguesa no valor de 100 mil euros.

“Além de escritor com uma obra literária com vários prémios nacionais e internacionais, é um pensador capaz de uma intervenção cívica e cultural de grande relevância”, argumentou o júri, que este ano foi composto pelos académicos Teresa Manjate da Universidade Eduardo Mondlane, a representar Moçambique, Inocência Mata (S. Tomé e Príncipe), Abel Barros Baptista e Ana Maria Martinho (Portugal), Jorge Alves de Lima e Raúl Cesar Gouveia Fernandes (Brasil).

Com um contributo notável, continua a justificar o jurado, para a projeção da língua portuguesa como língua do pensamento crítico, no Brasil e fora dele.

Silviano Santiago, nascido em Formiga, Minas Gerais, conta mais de trinta obras publicadas, entre elas Ariano Suassuna (Antologia comentada), de 1975; De Cócoras, de 1999 e Machado, de 201.

Iniciou sua carreira em 1954, fazendo críticas para uma revista de cinema. Bacharel em Letras Neolatinas pela Universidade Federal de Minas Gerais, doutorou-se em Letras francesas pela Universidade de Paris (Sorbonne), em 1968, com tese sobre Os Moedeiros Falsos, de André Gide. Recebeu o Prémio Jabuti em 2017, e o Prémio Oceanos em 2015, e o segundo lugar do Prémio Oceanos em 2017.

O Prémio Camões foi criado em 1989 e Miguel Torga foi o primeiro depositário, seguindo-se-lhe uma galeria de escritores dos três continentes onde se fala o português, como os moçambicanos Paulina Chiziane, Mia Couto e José Craveirinha, os portugueses Vítor Aguiar e Silva, José Saramago, Sophia de Mello Breyner, Manuel António Pina e Eugénio de Andrade, os angolanos Pepetela e José Luandino Vieira (o único que o recusou), o cabo-verdiano Arménio Vieira, e os brasileiros Jorge Amado, Lygia Fagundes Telles, Chico Buarque, Ferreira Gullar, Raduan Nassar e Dalton Trevisan, entre muitos outros nomes.

O Brasil lidera a lista de vencedores, tendo arrebatado o Camões em 14 ocasiões, quando Portugal e o país continental do Atlântico estavam até este ano empatados em números de prémios: em 2020 o prémio foi atribuído ao académico português Vítor Manuel Aguiar e Silva, que morreu em Setembro passado; e no ano anterior, 2019, o prémio Camões foi para o escritor brasileiro Chico Buarque.

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