Jorge Fernandes inaugura sua primeira individual

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A “Moça Mbique” é título da primeira exposição individual do artista plástico, fotógrafo e desenhador moçambicano, Jorge Fernandes. A inaugurar amanhã, na Galeria da Associação Kulungwana, em Maputo, a mostra é um conjunto de telas em que o artista pincela as realidades que coabitam na sociedade moçambicana. Além de exibir quadros, Jorge Fernandes vai lançar um livro de banda desenhada com o mesmo nome e conteúdo da exposição.

Jorge Fernandes é um moçambicano que viveu nos Países Baixos por mais de duas décadas. Na Europa, visitou Museus, apreciou obras e se firmou como artista guiado por um olhar sensível ao coletivo.

De volta a solo pátrio, já há nove anos, o artista pegou na câmera e embrenhou-se na busca por aspectos que considera enaltecerem a relação umbilical que mantém com o país que o viu nascer.

“A parte mais interessante de Maputo e Moçambique é, realmente, as pessoas”, avança e acrescenta que “fotografei muita coisa. As pessoas, o meio ambiente, plantas, edifícios.”

Pegou nas fotografias e olhou-as com atenção. Percebeu que eram ricas em traços da moçambicanidade e decidiu pinta-las em telas.

“Todas as pinturas são baseadas em fotografias que tirei e adicionei outros elementos. Faço fotografias no sentido de servirem de base de dados visual e, assim, faço combinações com várias fotografias para produzir um quadro”, afirma.

É um trabalho de reencontros, onde o artista procura destacar os aspectos gritantes da sua relação com Maputo, sua terra natal, depois de ter vivido na Holanda por 22 anos. Para tornar possível “A Moça Mbique”, Fernandes navegou pelas ‘‘alegorias’’, ou representações dos fenómenos sociais, feitas por Severino Ngoenha, na obra ‘‘Manifesto Por Uma Terceira Via’’.

“É a minha reação ao livro de Severino Ngoenha, “Manifesto por uma Terceira Via”, onde se recontextualiza a história de Moçambique”, avançou.
Nas reflexões do filósofo e professor, este artista encontra linhas que o conduzem à questionamentos em relação à factos e experiências que tem vivenciado durante os últimos nove anos a viver no país, tais como as relações de poder, a tragédia entre outras.

Quem é “A Moça Mbique”?
Nos trabalhos, o artista constrói uma narrativa em torna de uma jovem deusa, “A Moça ‘‘Mbique’’, a partir da qual se insere em sociais assistidas no país ao longo dos últimos anos. Ao mesmo tempo, Jorge Fernandes faz uma série de análises ancoradas no aspecto histórico, para apurar as causas e consequências de fenómenos conjunturais que acabam por ditar os caminhos pelos quais a vida das sociedades moçambicanas têm seguido.

O artista conta que o nome da exposição é uma metáfora, “quero trazer a história desta jovem deusa, “A Moça Mbique”, que, com menos de 50 anos, é muito moça para ser deusa”.

O tema é uma pessoa, prossegue, mas a exposição retrata Maputo e Moçambique. Por isso, “O conteúdo da exposição são as pessoas que vão apreciar as obras, o que me deixa nervoso.”

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Encontra no jornalismo um espaço fértil para alimentar o gosto de narrar factos e partilhar experiências do dia a dia. Estudante finalista pela ECA-UEM, vê na leitura e escrita ferramentas indispensáveis para contar hi(e)stórias, exteriorizar-se e conduzir o mundo pelo caminho da luz e da boa convivência entre pessoas. Também tem formação técnica em Jornalismo e Multimédia e colabora com a plataforma Mbenga desde 2019. Tem, ainda, textos publicados em diversos semanários nacionais.

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