Fé ou Fecalidades?

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Deus criou o mundo, acredita-se. Mas é Deus um ser? Questiona-se em FéCalidade, peça teatral da pela companhia de artes Mintsu, assistida ontem, no Centro Cultural Moçambicano Alemão (CCMA), em Maputo.

A relva reluzente, a cobrir o jardim do CCMA, tinha sido tomada por dezenas de pessoas que abarrotaram o espaço que ficou pequeno para tamanha enchente. Os celulares na mão, expectativas em alta, o acesso ao interior do CCMA permanecia fechado.

Do lado de fora, chegavam mais pessoas e, na sequência, toda a fachada foi ocupada. “Era bom que a peça fosse apresentada cá fora”, comentavam os presentes, ensardinhados em duas longas e apertadas filas indianas que se formaram enquanto caminhavam em direcção à Galeria, logo após a abertura das portas.

No palco, a pouca luz prenunciava que se tratava de uma peça não muito ao estilo habitual. É que FéCalidades é um trabalho de questionamentos. Foca-se na religião, para discutir o Ser como obra imperfeita de uma entidade que está para além da natureza. Um Deus sobre quem também se questiona, na peça, a existência e a natureza.

Jornais espalhados pelo chão, velas acesas a volta de um caldeirão, tecidos brancos, ensanguentados a tinta vermelha, e um banco ao centro. Pairava uma nuvem de superstição, onde os dois lados da mesma moeada (bem e o mal) subiam ao mesmo palco (a vida), para discutir as suas obras, valores e práticas.

“Onde cheira a merda, está o ser”, comentou Gerson Mbalango (intérprete). Está também a Fé, veículo que conduz o homem a realizar sacrifícios que, muitas vezes, levantam contradições sobre as crenças e práticas humanas. É aqui onde o casamento (instável) entre a Fé e Fecalidade acontece.
Passagens bíblicas e poemas de Antonim Artaud, Spinoza e Phayra Baloi (encenador) são parte da trama.

Emprestam ao enredo aspectos temporais, localizando os acontecimentos nos períodos de evolução da humanidade.

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