Radja Ali fez a festa do IOMMA

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ANONYM, da Ilha Maurícias, fechou o IOMMA a distribuir uma boa vibe a audiência com a sua música eclética que encheu a sala do Le Kervegen, sala que acolheu todos os showcases de 31 de Maio até ontem.

Com uma banda consistente e coesa os dois vocalistas desenvolveram um álbum que conjuga sequelas de Chris Brown/Jason de Rulo, Kassav e a aura “ula-ula” de beira-mar.

O seu som vibrante encheu a sala com o baterista a liderar os outros cinco integrantes do projecto com uma execução precisa e conectada. O resultado foi um bom groove, que despertou aos delegados já cansados destes dias de muita correria e curtas noites de sono.

Mas antes deles, de Mzimhlophe, bairro de Soweto, Urban Vilage nos transportou pelas avenidas e ruelas da África do Sul com a sua proposta que pretende, justamente, transmitir as sonoridades, narrativas das aldeias (e os aldeões) e espaços urbanos.

A sua música é uma fusão complexa que envolve rock, jazz, maskandi, entre outros géneros, numa simbiose envolvente que resulta naquilo que chamam de world music.

Ouvi-los, ver a sua performance é viver uma experiência única de Storytelling. Mas ainda exploraremos mais este projecto nas nossas próximas publicações.

Um episódio particular desta edição: Radja Ali

Os convidados que já conheciam os temperos do Radja Ali, isto é a delegação moçambicana, minutos antes do bufê ser posto na mesa (palco), já gritavam, “esfomeados” pela ansiedade. Muito provavelmente os outros (delegados, músicos e outros intervenientes da indústria) ficaram ainda mais ansiosos de provar.

“Mozambique” era o que mais se ouvia na audiência. Primeiro entraram Amade e Nando Morte (percussionistas), Sílvio (guitarrista) e Sidney (baixo) e a banda se posicionou. Pôs-se a executar “Malaxi”. Ainda nos camarins Radjha Ali empenhou a voz para o gáudio da audiência.

Quando o músico de Nampula veio ao centro, foi recebido em apoteose. Enérgico, com a sua performance que envolve dança e uma banda conectada, agarrou a atenção de todos e, de repente, a sala estava toda enfeitiçada com a degustação.

Na segunda faixa, “Ekoma tsowani”, Paulo Chibanga, Ivan Laranjeira, a vereardora Isabel Macie, Rodrigo Sala, José dos Remédios já estavam a fazer um comboio que foi arrecadando vagões de vários lugares do mundo, presentes no Kerveguen, sala que acolheu o espectáculo. “Il est bon” é o que ouvíamos na audiência.

Deitado, não perdeu a afinação para o seu “nyandaeiou” que abre a faixa “Grito de socorro “, afinado com os temperos arábicos que se sente no seu canto, essas marcas da herança do oriente no país. A sua entrega transmitia agarrou a sala já a imersa na aura do Radja.

A sua estética, que mistura namahanja, mwasepwa, n’sope e tufo com ritmos modernos ganha ainda mais relevo com o fôlego da banda. O baixo do Sidney que umas vezes libertou uns splash, a revelar-se inventivo e com domínio do instrumento. O Amade e Nando Morte com as suas percussões a darem o aroma que conecta ainda mais o vocalista a uma audiência habituada aos ritmos da África Oriental.

“Mwanamwane”, “Mama” é “Nthupi” foram as faixas que o conjunto interpretou a seguir para uma audiência surpresa com o que viva, via e sentia com a presença em palco do Radja Ali.

“Foi melhor do que sempre imaginei”, disse o vocalista pouco depois da performance, a contar que “viveu o espectáculo”. E sobre os convites que foram surgindo logo a seguir o dão a assumir que “o álbum tem que sair agora, até apareceu gente disponível a pagar por isso”. E prometeu: “já falei com o meu pessoal, vamos trabalhar”.

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