A vida como um espetáculo dividido entre a tragédia e a comédia

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Obra de Luís Sozinho

A primeira exposição individual de Luís Sozinho, artista plástico e professor de história da arte, está aberta ao público desde finais de Março último, podendo ser visitada presencialmente nas paredes da Galeria de Arte de Gema, em Maputo, desde Março último.
Intitulada “Circenses”, a mostra é composta por um conjunto de quadros pincelados em 2018, abundantemente à acrílico, com que Luís Sozinho quer mostrar as diferentes facetas, e fantasias assumidas pelo ser, diante das diferentes situações quotidianas. “Circense”, termo que engloba conjunturas relativas aos espectáculos de circos, apresenta-se, neste quadro, com um significado mais abrangente.
“Circense” passa a ser o homem, independentemente da sua cor, raça, religião ou condição social, tal como escreve Élia Gemuce, a curadora da exposição, “Circense somos todos nós, em algum momento ou contexto.”
Tal como o título sugere, em “Circenses” Luís Sozinho está a olhar para os homens como actores polivalentes no teatro da vida. Às vezes palhaços, noutras alguéns ou até ninguéns, mas sem se descorarem do seu maior objectivo – que é a manutenção da vida as personagens humanas presentes na mostra, bem como na realidade, tomam um aspecto volátil, que lhe permite vestir-se, ou despir-se, das cores do prazer e dor que separam a tragédia da comédia, neste baile de máscaras a que se nomeou vida.
As telas, ao comunicarem-se entre si, sugerem uma outra linha que cose a linha de pensamento de Sozinho ao produzir esta posição. É que, primeiro, o desenho (este outro lado de Luís Sozinho) como um sujeito muito presente nas telas e, pela sequência ou maneira como estão dispostas no pequeno espaço do interior da Galeria Arte de Gema, sita no Marés, cada uma das obras parece um episódio do desenho animado a que Sozinho tem assistido no dia-a-dia, ao sair à rua, olhar para as pessoas de braços com a prossecução dos seus intentos.
Nesta pequena película, também podem encontradas a diversas etapas da existência, a que o autor tratou de categorizar por “Palco” – o ser aparente, devaneador, na sua versão falseada – “Refrão” – ou actuação, ou o ser durante o acto de existir, (des)fazendo para continuar em subsistência e “Clímax” – o momento mais alto da actuação do “Circence” em palco (ou em vida). É aqui onde está a essência e o lado verdadeiro do homem.
Uma outra sensação a que “Circenses” nos sugere é a ideia da máscara como objecto de estética e/ou de encenação. As máscaras Makonde, o mussiro e a Tufo, no caso, mescladas ao Nzope, dois importantes patrimónios culturais moçambicanos, contextualizam, na quotidianidade nacional, a mostra que vai encerrar no próximo dia 15 de Maio.

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