Dionísio Bahule lança “Tabuleiro semiótico”, obra que cruza narrativa e crítica

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O ensaísta e crítico de arte moçambicano Dionísio Bahule lança a sua terceira proposta literária. Trata-se de “Tabuleiro semiótico [ou] O cálculo da raíz quadrada”, obra que será apresentada quarta-feira, 6 de Abril, às 17h30, no Moya, edifício do Millenium Park, em Maputo.
“Tabuleiro semiótico [ou] O cálculo da raíz quadrada” é um livro que reúne ensaios, cruzando a narrativa e a crítica, como forma de, como justifica o autor, romper com o sentido estabelecido de fazer a academia.
Neste livro, que inaugura o ciclo de lançamentos da Kuvaninga cartão d’arte, Dionísio Bahule discute vários conceitos e teorias no universo literário, filosófico, artístico, estético e, sobretudo, semiótico. “É um conjunto de várias teorias que vou tentando pensa-las para reconstruir o exercício ou o processo sobre a crítica da arte no nosso contexto”, explica.
Uma das questões que mais motiva o exercício desta obra é quando se pensa na arte africana, em particular moçambicana, nunca se pensa no tempo da nossa arte. “Nós nos deixamos muito influenciar pelas vanguardas de outros países, da Europa, do Ocidente, e esquecemos que podemos pensar no nosso tempo artístico”, formula.
Em “Tabuleiro semiótico”, Bahule discute também um conceito não muito falado entre nós – a ideia de cronotopos, que deriva de uma relação entre o tempo e o espaço. E, de acordo com Bahule, pensar o tempo e espaço na criação da arte é, ao mesmo tempo, pensar no processo de doação de sentido – daí o tabuleiro semiótico.
“Eu chamo de parasita semiótica, porque a semiótica não se revê num único exercício de crítica; para ela se realizar precisa de outras ciências ou de outros tipos de conhecimento, e eu chamo isto de incesto epistemológico.”
Discute, Bahule, nesta nova proposta literária a autonomia da arte ou a chamada arte pela arte para um contexto africano como o nosso. “O que pressupõe isto? E porque nós não conseguimos ler os sinais dos nossos tempos?”, são estas e outras questões que o “Tabuleiro semiótico [ou] O cálculo da raíz quadrada” procura responder em seis ensaios, nomeadamente: “O cálculo da RAÍZ QUADRADA”, “Crónica da MICHELLE SOUZA”, A “Toxina DOS CATETOS”, “A INSOSSEGÁVEL TAREFA DE PENSAR O PÓS-INDEPENDÊNCIA”, “Cinzeiro QUEBRADO” e “SÍSIFO, O etc…”
“Tabuleiro semiótico [ou] O cálculo da raíz quadrada” sai pela chancela da Kuvaninga cartão d’arte – editora moçambicana que se dedica à produção de livros com cartão reaproveitado – e conta com as capas produzidas pelo artista plástico Mulalene e trabalho gráfico de Gabriel Chone.
A obra que inaugura as celebrações dos 10 anos da editora, será apresentado por Evaristo Abreu e Hélia Gemuce e com comentários de Leonel Matusse Jr.
Este é o terceiro livro de Dionísio Bahule, depois de “Fotojornalismo [ou] A gramática de sensações” e “A voz do cárcere”, com Paulina Chiziane.

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