Sara Jona reflecte sobre cânone literário no ensino

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A interculturalidade no cânone literário do Ensino Geral moçambicano, tendo como objecto os curricula da 11ª e 12ª classe, materializa a reflexão e pesquisa de Sara Jona Laisse, no livro “Letras e Palavras Convivência entre culturas na literatura moçambicana”, a ser lançado no dia 30 de Março, às 17 horas, no Auditório do BCI, em Maputo.
A obra, que sai sob chancela da Escolar Editora, resulta, como se pode ler na nota de “advertência” do livro, da releitura da sua tese de doutoramento em Estudos Portugueses, especialidade em Literaturas e Culturas em Língua Portuguesa, depositada na Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Humanas.
Na referida nota, Sara Jona Laisse, actual directora da Fundação Fernando Leite Couto e docente universitária, esclarece não se tratar de um olhar para a literatura a partir de uma perspectiva de Estudos literários. Este exercício está ancorado numa abordagem que cruza “métodos e teorias, discutidos tanto nos estudos literários, como nos Estudos Culturais”.
O livro traz uma proposta de cânone literário a ser utilizado no Ensino Secundário moçambicano e sugere a utilização de textos que permitam promover as diferentes culturas moçambicanas através de um ensino com recurso ao texto literário”. Traz também uma proposta de guião para exercícios de análise literária que possa captar representações literárias das culturas moçambicanas em textos literários.
“O objectivo do trabalho”, esclareceu Sara Jona, “é contribuir com materiais que possam estimular o diálogo entre culturas. É um princípio que cujo fomento se revela premente, neste mundo onde ainda existem culturas subalternizadas”.
Centrando o seu foco no processo educativo do cânone literário, a pesquisadora preocupou-se com a contribuição deste preceito para perceber que contributos o mesmo dá no país, no fomento da interculturalidade, no processo de educação do imaginário dos leitores, que pela natureza da sua tese, cinge-se, especificamente, nos alunos.
A autora está a pensar que a literatura pode ser um recurso aplicado as representações culturais de todos os grupos étnicos existentes no território que hoje compreende o moderno Estado moçambicano, no ensino do texto literário.
“Ao re-ler e adaptar essa pesquisa, ocorreu-me atribuir-lhe um título muito aberto, mas devo recordar que, mais do que fixar as tradições que se pretende preservar em Moçambique, o Canone Literário poderá promover a convivência entre as culturas moçambicanas”, lê-se na “advertência”.

Sara Laisse

Refere-se mesmo à convivência, prossegue, porque, ao que constatou, no país, as culturas nacionais ainda se encontram numa fase de coexistência. Estão no mesmo espaço e precisam de partilhar saberes.
Os resultados da pesquisa de Sara Jona Laisse, ora a publicar em livro, “levaram-se”, escreveu no resumo, “a constatar que, na óptica da recepção activa de textos, as práticas educativas devem estimular os alunos a interpretarem os diferentes sentidos para os quais a obra literária aponta”.
Atendendo, continua, à literariedade do texto, no quadro de modalizações culturais, uma vez que algumas obras literárias moçambicanas assentam sobre uma escrita de base etnográfica. “Este pode ser um recurso para despertar os alunos para uma consciência intercultural”, acrescenta.
“A conclusão a que cheguei é a de que o actual corpus literário tem limitações na promoção da interculturalidade. Foi nesse sentido que apresentei o cânone literário multicultural e um modelo de análise de representações culturais dos grupos étnicos moçambicanos, susceptível de aplicação aos contextos educativos”, lê-se no resumo.

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