Lockdown abre as portas do Afromatic de Duas Caras

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Duas Caras

Duas Caras lançou há dias o single “Lockdown”, primeiro a caminho do EP “Afromatic”, iniciando este ano de expectativa de se ver desabrochar os projectos artísticos em “quarentena” na pandemia.
A representar um parceiro que está impossibilitado de ver a companheira, presa em Lisboa por consequência da COVID-19, Duas Caras, como o é habitual, retrata a realidade nua e crua do que aconteceu nestes últimos dois anos.
O storyteller e cronista capta as especulações sobre a origem do vírus, do efeito surpresa, do cepticismo sobre os métodos de cura que adoptamos, as festas privadas no tempo de recolha obrigatória, os fazedores de opinião das redes sociais, entre outras questões que compõem este registo.
Desde “País da Marrabenta” com Cem Paus na Gpro – conjunto que traz o rap ao mainstream – que Duas Caras e as suas metamorfoses, como Xkopeta – no período Xtaka Zero -, que trabalha a língua para, entre rimas, trazer a superfície imagens concretas com um vocabulário que oscila entre o street e o erudito.

Este EP, com previsão de lançamento em março, é antecedido, a solo, por “Duditos Way” e “Tondje Mc”.
Hermínio Chissano também conhecido por Duas Caras é um rapper moçambicano nascido em 1978 no bairro do Aeroporto, na periferia da cidade Maputo, onde começou a dropar nos meados dos anos 90. Na adolescência apaixonou-se pelo Rap, tendo o americano Jay-Z como ídolo.
Enquanto jovem, sempre sereno e introvertido, decidiu desabafar e expressar-se criativa-mente através do rap. Começou em 1997 e com Denny OG, Dj Damost, Stuped Man e N´Star formou o agrupamento “Tropas do Futuro”.
Depois que o grupo se desintegrou formou a Gpro com Djo e Cem Paus (ex-Stuped Man). Em 2003, o agrupamento lançou de forma independente o álbum “Um passo em frente”, no qual Duas Caras mostrou uma linha de RAP consciente e educativa que muitos não conheciam. Com rimas elaboradas cheias de metáforas refinadas e duplos sentidos, “Um passo em frente” trouxe para o Hip Hop Moz um liricista de nobre distinção

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É licenciado em Jornalismo, pela ESJ. Tem interesse de pesquisa no campo das artes, identidade e cultura, tendo já publicado no país e em Portugal os artigos “Ingredientes do cocktail de uma revolução estética” e “José Craveirinha e o Renascimento Negro de Harlem”. É membro da plataforma Mbenga Artes e Reflexões, desde 2014, foi jornalista na página cultural do Jornal Notícias (2016-2020) e um dos apresentadores do programa Conversas ao Meio Dia, docente de Jornalismo. Durante a formação foi monitor do Msc Isaías Fuel nas cadeiras de Jornalismo Especializado e Teorias da Comunicação. Na adolescência fez rádio, tendo sido apresentador do programa Mundo Sem Segredos, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique de Inhambane. Fez um estágio na secção de cultura da RTP em Lisboa sob coordenação de Teresa Nicolau. Além de matérias jornalísticas, tem assinado crónicas, crítica literária, alguma dispersa de cinema e música. Escreve contos. E actualmente, é Gestor de Comunicação da Fundação Fernando Leite Couto.

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