“Algoritmo” de Milton Gulli a caminho do álbum “Quotidiano”

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Fotografia de Mariano Silva

Milton Gulli, músico e produtor de ascendência moçambicana radicado em Portugal, lançou há dias um novo single, intitulado “Algoritmo” que, conforme escreveu na sua conta no Instagram, aponta para o seu primeiro álbum a solo, “Quotidiano”, que “está aí, quase a sair”.
O tema “fala sobre a capacidade que as redes sociais têm de polarizar a sociedade, fala desse mágico algoritmo que, facilmente manipulável, nos alimenta com informação “adequada” ao nosso perfil e aos nossos “likes”, que torna muito fácil a disseminação da desinformação, que facilitou e facilita a ascenção de Trumps e Bolsonaros, entre outras coisas nefastas”, lê-se no post.

“Algoritmo” é o quarto single de avanço para o ansiado álbum, os anteriores são “Puto”, “Jogador” e “Cacimbo”. Neste último como noutros dois há um retrato das vivências que configuram as realidades contemporâneas. Os seus dilemas, as novas escravaturas e formas de exclusão social.
Este trabalho já foi apresentado em Maputo, no dia 06 de março de 2020, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, com uma banda composta por Hélder Gonzaga (baixo), Texito Langa (bateria), Nicolau Cavaneque (teclados), Joel Klein (guitarra) e Regina dos Santos e Rita Couto (voz).
Nessa altura, a nota de imprensa descrevia “Quotidiano” como um trabalho que possuiu uma sonoridade híbrida, dificilmente categorizável, resultado das influências de Milton Gulli e da sua longa experiência em projectos com diferentes estilos.

Quotidiano, que será lançado pela Tangential Music, conforme o post no Instagram, é uma ideia construída a partir de um loop do seu “grande amigo” e produtor Mr. Rive, com a “magnífica participação do poeta moçambicano Tchaka Waka Bantu”. Mistura de Vasco Teodoro e masterização de Beat Laden. Foto da capa por Grég. E. e design pelos The Grasspoppers.
Este álbum surge depois de Milton Gulli, em Moçambique, pela Kongoloti Records, ter produzido “The Heroes – A Tribute To A Tribe”, do rapper Simba Sitoe, ajudou a produzir “Cubaliwa” do renomado rapper Azagaia.
Produziu ainda Deltino Guerreiro, Ras Skunk, Spirits Indigenous e co-produziu o álbum de estreia de Granmah e também tocou com Azagaia, Simba, DRP, TP50 e muitos outros. Milton ainda se aventurou na composição de bandas sonoras, tendo feito a música original para o filme moçambicano Resgate/Redemption, que está em exibição na Netflix.

Milton Gulli é um músico (Cacique´97, The Grasspoppers, Simba & Milton Gulli, Cool Hipnoise, Philharmonic Weed, produtor, fundador da Kongoloti Records e DJ. Nasceu e cresceu nos subúrbios de Lisboa, em Portugal e viveu na Arábia Saudita, Ilha da Madeira e Moçambique.
Milton Gulli é um artista profundamente imerso nos sons lusófonos e na cena musical africana contemporânea de Lisboa.
Seu primeiro projecto Philharmonic Weed, começou em 1997, lançando o EP “Capital Som” (2003) e o álbum “Primeiro Mundo” (2007), misturando com mestria reggae, funk, soul e música africana, com letras conscientes e uma atitude muito activista.
Em 2005 foi convidado para vocalista da banda veterana de soul funk portuguesa Cool Hipnoise, gravando o último álbum da banda com o mesmo nome (2006) e o hit de rádio “Brother Joe”. No mesmo ano com o músico/produtor Gonçalo Oliveira, fundaram a ainda activa orquestra de 12 músicos Cacique´97. Este colectivo lançou dois álbuns “Cacique´97” (2009) e “We Used To Be Africans” (2016). Milton também foi visto a explorar dub, reggae e hip hop com a equipa artística The Grasspoppers.
Em Lisboa foi convidado a tocar com Prince Wadada, Kimi Djabaté, Mercado Negro, Marcelo D2 e participou em vários álbuns de artistas como Rocky Marsiano, IZEM, Sam The Kid, Sagas, XEG e outros.
Sua música sempre foi para as pessoas e sobre as pessoas. Empoderamento dos menos favorecidos, igualdade, justiça, educação para todos e um mundo sem fronteiras.

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É licenciado em Jornalismo, pela ESJ. Tem interesse de pesquisa no campo das artes, identidade e cultura, tendo já publicado no país e em Portugal os artigos “Ingredientes do cocktail de uma revolução estética” e “José Craveirinha e o Renascimento Negro de Harlem”. É membro da plataforma Mbenga Artes e Reflexões, desde 2014, foi jornalista na página cultural do Jornal Notícias (2016-2020) e um dos apresentadores do programa Conversas ao Meio Dia, docente de Jornalismo. Durante a formação foi monitor do Msc Isaías Fuel nas cadeiras de Jornalismo Especializado e Teorias da Comunicação. Na adolescência fez rádio, tendo sido apresentador do programa Mundo Sem Segredos, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique de Inhambane. Fez um estágio na secção de cultura da RTP em Lisboa sob coordenação de Teresa Nicolau. Além de matérias jornalísticas, tem assinado crónicas, crítica literária, alguma dispersa de cinema e música. Escreve contos. E actualmente, é Gestor de Comunicação da Fundação Fernando Leite Couto.

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