Literatura e Biodiversidade: A Ilha de KaNyaka como centro do mundo. Uma União Perfeita

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Juvenal Bucuane

Escrito por: Juvenal Bucuane

Palavras-chave: Festa do livro de KaNyaka; Características da Ilha de KaNyaka; Literatura; Biodiversidade; Natureza; Ecossistema; Importância do livro; Albergue Artístico.

O nosso encontro na Festa do Livro de KaNyaka, cujo Lema é: “A história do futuro escreve-se na Ilha”, pretende unir a Literatura e a Biodiversidade, estas duas grandezas que fazem o nosso quotidiano.
Para entendermos o alcance geral da abordagem que nos propomos fazer, importa explicar, especificamente, o que é uma e o que é outra, para depois encontrarmos o fio condutor entre elas, para se chegar à união que se deseja.
Para sermos fiéis à verdade académica e científica, conformamo-nos com as designações de carácter universal:
A Literatura é a arte de compor escritos artísticos, o exercício da eloquência e da poesia;
A Biodiversidade é o conjunto de todas as espécies de seres vivos que existem na Biosfera ou seja, na zona da terra habitada pelos seres vivos (formada pela crusta, atmosfera e hidrosfera);
O termo Biodiversidade usa-se para expressar a diversidade biológica ou seja, a referência de todas as espécies vivas: plantas e animais, existentes num determinado meio ou numa determinada região, como é o caso vertente da Ilha de KaNyaka.
Qual, então, o papel da Literatura e qual o da Biodiversidade neste contexto?
Procuramos encontrar, através do livro, que é o instrumento desta Festa, a forma de promover a literacia, no sentido de podermos compreender a dinâmica de tudo o que nos cerca, com relevância tudo o que palpita à nossa volta, ou seja os seres que compõem o meio ambiente que nos envolve.
O livro é um artefacto em que o autor expõe, de forma artística, todas as manifestações do mundo que o cerca, derramando, através dele toda a sua sensibilidade, no sentido de captar a adesão do pensamento humano sobre a existência e a preservação de todos os factores que condicionam a vida.
A escolha desta ilha para este propósito, tem toda a sua razão de ser, pois, se não, vejamos. Esta ilha é um autêntico pulmão verde nesta região da terra que precisa de uma profunda reflexão humana para o não agredir, isto é, todos os projectos arquitectónicos de obras públicas ou seja a construção civil de infraestruturas industriais, comerciais e habitacionais deve ser de forma sustentável, no sentido de que a biodiversidade seja protegida para que ela, reciprocamente, proteja a vida da comunidade humana que cá está estabelecida. Por outras palavras, não se pode recorrer ao abate indiscriminado de árvores, à queimada, à caça desenfreada ou furtiva de espécies animais para levantar qualquer que seja a infraestrutura ou alimentação, sem uma reflexão que leve à necessidade do acto, isto é, que a solução seja negociada com o próprio ambiente, no sentindo de se evitar o acto. Ou, a acontecer, encontre-se uma forma de reposição, quanto à devastação vegetal ou da flora e contenção, quanto à devastação da fauna. Para que se encontre uma harmonia de coexistência baseada na biodiversidade. No que se refere a espécies marinhas, devemos respeitar a lei que estabelece a protecção de algumas delas para se evitar a sua extinção e catar-se aos períodos de defeso que periodicamente se indicam.
Aqui, na Ilha de KaNyaka temos uma riqueza biológica imensa de plantas e de animais, em alguns casos, únicos no mundo, portanto um habitat seguro e privilegiada para a relação entre a Literatura e a Biodiversidade, onde um escritor ou poeta, pode-se instalar e descrever artisticamente, todos os enredos deste cenário biológico que aqui se cruza.
O livro é, pois, um grande painel onde os escritores expõem a plenitude da sua sensibilidade, a partir da observação. O livro é terreno amplo onde se descrevem as vivências humanas que, de forma alguma se dissociam do ambiente que os envolve, representado pelas plantas e pelos animais das mais diversas espécies, em suma pelo meio ambiente envolvente. No livro nós encontramos o homem descrito na paisagem habitada por plantas e outros animais (porque o homem nunca deixou de ser animal com as suas especificidades que o diferenciam dos outros), onde se constrói o grande painel da biodiversidade.
Neste fio de pensamento, permitam-me sugerir que entre estas duas grandezas, a Literatura e a Biodiversidade se entrecruzam, e apresentam sinais inequívocos de complementaridade cúmplice, ou seja, a Biodiversidade alimenta a Literatura, ela é a fonte onde o escritor vai buscar a matéria-prima para construir a sua obra literária; por sua vez a Literatura é um largo espelho onde a Biodiversidade se retracta, para que todos a conheçam e a respeitem, na imensidão do espaço onde ela se manifesta.
Alias, esta cumplicidade perdura deste os primórdios das manifestações literárias, assumindo, a parte inerente às plantas e aos animais, o genérico “Natureza”.
O termo Biodiversidade é de invenção recente, pois ele começa a ser usado por volta da década de 80, últimos tempos do século XX.
Entre todas as espécies, tanto animais quanto vegetais, cada uma tem o seu papel na natureza e concorre de forma profunda para o equilíbrio do ecossistema ou seja, um conjunto de organismos que dentro da sua diversidade se relacionam, colaboram para a manutenção do meio ambiente.
Em resumo a quanto se tentou aqui trazer como meio de reflexão: devemos fazer tudo ao nosso alcance para preservar a biodiversidade e sejamos parte decisiva dessa luta, pois, a nossa existência é sustentada por esse grande factor.
O que faz com que esta Ilha não seja invadida pelas águas que a cercam é precisamente o secular equilíbrio do ecossistema que nós nos devemos comprometer a preservar.
A leitura de livros com a atenção que eles nos pedem torna-nos capazes de decifrar o mundo e dentro dele podermos viver em harmonia com todos os seres vivos existentes.
Nós, como seres humanos, fazemos parte do conceito de biodiversidade e com outras formas de vida do planeta terra, somos actores ou motores do equilíbrio do ecossistema.

Recomendações:
Recomenda-se, pois, e seguindo o lema desta Festa do Livro de KaNyaka “A História do futuro escreve-se na Ilha” que o Conselho Autárquico de Maputo lançou. Assim, muitas das recomendações que se seguem podem concorrer para que, de facto – A História do futuro se escreva na Ilha:
• Monitorização de espaços para projectos de construção civil;
• Monitorização da actividade piscatória;
• Criação e monitorização de espaços para depósito de resíduos sanitários;
• Fortificação do controlo autárquico ou municipal, no sentido de se orientar a comunidade da ilha em todos os aspectos relativos à sua preservação e equilíbrio ecológico.
• Criação de um Albergue Artístico sustentável – aonde, cumprindo critérios rigorosos de selecção, enviar-se-ia um artista cultural, de forma alternada: um escritor, um artista plástico, um músico, para produzir uma obra inspirada na Ilha de KaNyaka, a qual teria uma apresentação pública em momento apropriado, respeitando-se os Direitos autorais.
• Formação de inspectores e/ou guias turísticos locais, para acompanhamento de visitas turísticas;
• Proibir abate indiscriminado de árvores, evitando-se. assim, a desflorestação;
• Fazer cumprir as épocas de defeso no arresto de espécies marinhas e a preservação das espécies protegidas por lei;
• Organização de locais de depósito de lixo em conformidade com a sua natureza (aqui chama-se a atenção do facto de que a melhor forma de conservar a Ilha limpa não é limpá-la, mas sim, evitar sujá-la;
• Proibir queimadas descontroladas, para se reduzir a libertação de carbono, responsável pela emissão de gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global, evitando-se, deste modo, a seca e outros problemas ambientais;
• Proibir o abate indiscriminado de espécies vegetais e animais, para se evitar a sua extinção, dentro do concerto ecológico em que se encontram;
• Promover, nas escolas, tanto primárias quanto secundárias o ensino biogeográfico, no sentido de se falar insistentemente de aspectos biológicos e geográficos e da importância do meio ambiente;
• Organização da biblioteca municipal local em termos de horários de recepção de leitores para leitura e prazos para requisição de livro (chama-se atenção, aqui para o facto de o livro ser um importante meio de transporte do pensamento humano, para se atingir o conhecimento universal.);
• Motivação da comunidade da Ilha, sobretudo jovens, no sentido de visitas com alguma assiduidade à biblioteca local para a leitura de livros;
• E outras medidas com vista a que a vida na Ilha de KaNyaka seja sustentável.

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