Exposição Flor-de-Paixão: uma homenagem às mulheres de Cabo Delgado

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A mulher é presença constante nos trabalhos do mestre Naguib. Nos seus 45 anos de carreira, o artista plástico tem refletido sobre diversas temáticas sociais, através de exposições, intervenções públicas e monumentos, boa parte dos quais em representação as nuances que marcam o dia-a-dia da mulher, no contexto moçambicano.

Na sua mais recente mostra, aberta ao público na galeria da Fundação Fernando Leite Couto, volta a colocar elas em destaque. Intitulada “Flor-de-Paixão”, a exposição foi produzida em homenagem às mulheres de Cabo delgado. O artista partilha o seu olhar sobre a figura feminina como símbolo de esperança e fonte de vida. Discute, ainda, a beleza, as forças, fraquezas e a posição social em que ela é colocada, procurando acender o debate em torno da maneira como a questão do género é gerida a nível local.


“As vezes, em relação a mulher, nós fugimos a realidade. Os homens refugiam-se no trato religioso, ao afirmar que a mulher vem da costela, mas eu, pessoalmente, acho que os homens saíram da vagina delas’’, justificou Naguib, durante a abertura da mostra.


Do corpo da mulher, brotam homens e outras mulheres. Apoiando-se em dados estatísticos, Naguib enaltece o papel da mulher como mãe e, acima de tudo, como um ser vulnerável e sujeito a submisso.


‘‘52% da população de Moçambique é feita por mulheres, o que significa que os restantes 48% são os filhos delas’’, disse, a acrescentando que ‘‘a mulher está no patamar de dona deste país. É nossa mãe, pois sem ela os 48% dos homens não existiriam’’.


‘‘Flor-de Paixão’’ é um trabalho que mistura diferentes estados de espirito. É uma metáfora cujo foco está no casamento entre o belo e o dramático. Explorando novas vertentes.


‘‘A palavra, em si, flor-de-paixão, é lindíssima, mas significa desgraça. Tenho ali muita gente e as dificuldades que o pessoal todo passa. Na exposição, há, por exemplo, três quadros de mulheres a reclamar o custo de vida’’, explicou.


As obras são apresentadas em várias técnicas, aspecto que já é um marco nos trabalhos de Naguib. Ao longo do tempo, o artista habituou-nos a sua versatilidade, tanto em termos de temáticas, materiais, quanto aos suportes e procedimentos. Um ponto a ressaltar é a abundância do azul, este meio subtil com que o artista traz à tona a discussão do equilíbrio de género.


‘‘O que torna esta posição didática é que tens ali todas as técnicas. Tinta-da-china, pastel, aquarela, grafite, carvão e óleos. Para quem é jovem e, esteja a iniciar nestas lides, e queira vir aprender um pouco sobre técnicas de arte ’’, afirmou.

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