O passado e o presente no “Mito Erecto” de Armindo Mathe

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Casa cheia. As cadeiras, lotadas, com o devido respeito ao protocolo sanitário, transbordavam de gente, havendo, inclusive, pessoas em pé e outras a acompanhar do lado de fora da sala, em directo, através das plataformas digitais.
Nem as medidas anti-Covid-19 desencorajaram o público de presenciar o lançamento do “Mito Erecto”, de Armindo Mathe, no Centro Cultural Brasil-Moçambique (CCBM), na Baixa da Cidade do Maputo. A obra foi apresentada pelo poeta Juvenal Bucuane.
O poeta Mabjeca Tingana deu início à cerimónia, declamando poesia. Em versos na língua Tsonga, Tingana descreve as dificuldades do dia-a-dia da sociedade, ao mesmo tempo em que faz duras críticas aos gestores públicos.
Chancelada pela Gala Gala edições, “Mito Erecto” é um livro de poesia através do qual Armindo Mathe busca eternizar aspectos da memória pessoal e coletiva.
“Parti de uma concepção da mitologia de que estamos a viver mitos, hoje em dia, porque não vamos a fundo para perceber muita coisa que vivemos. Para mim, a religião e a história acabam sendo mitos que aprendemos dia após dia”, explicou.
Na obra, Armindo Mathe trata as experiências do passado como “Mito”. Ou seja, factos cujo tempo vai apagando as suas marcas da memória.
“Primeiro, há um momento que eu valorizo muito. Acho que se pudermos inspirar os mais novos, que seja a valorizar a infância, porque é aí onde se forma a personalidade”, revelou, a justificar que é na infância onde se forma o ser humano.
“Busco experiências da infância para mostrar que o homem que não conhece o seu passado dificilmente consegue projectar o seu futuro”
O livro é dividido em dois momentos, “Mito” e “Erecto”. São duas situações que se complementam, na medida em que é do mito (a nostalgia, o amor e fraternidade ) que se alcança a plenitude da vida em sociedade.
“O “Mito” torna-se “Erecto” quando, depois de firmarmos as bases, começamos a nos preocupar com os outros. Quando pensamos na Ética, em fazer e agir para o bem comum, sem olhar para quem vai se bebeficiar, é a ereção deste mito”, disse.
Um escritor que canta a alma do seu povo
O poeta Juvenal Bucuane encontra, em “Mito Erecto”, aspectos que denotam a preocupação de Armindo Mathe com a união da sociedade.
“Nós, hoje, vivemos seguindo aquilo que são os mitos. Mito é tudo aquilo que diz respeito a nossa ancestralidade, aquilo que ocorreu numa determinada comunidade e se tornou fonte ou guia para os seus passos”, defendeu.
Penso que o Mathe, acrescenta, naqueles seus poemas, procura descer para o passado, pegar em coisas que coisas e trazê-las para o presente.
“Estamos a viver de coisas que dizem ter acontecido no passado, e estão a ressurgir agora para nos unir”.
Para Bucuane, a escolha do título foi feita de maneira acertiva, pois o livro apresenta lembranças do passado que estão emolduradas na memória coletiva.
“No poema que abre a segunda parte, intitulado “IDAÍ?, o sujeito poético indaga de forma retórica, no sentido que a lembrança do ciclone ocorrido há 2 anos mantém-se e se manterá Erecto na memória dos que sentiram o flagelo da calamidade”.

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