Nália Agostinho expõe “Djindjiritana: Quixotes plásticos” em Maputo

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Nália e o Embaixador da Espanha

Está patente, na recém-inaugurada Liah Art3 Studio|Gallery, em Maputo, a exposição “Djindjiritana: Quixotes plásticos”, da artista plástica moçambicana, Nália Agostinho.

A mostra é uma série de quadros com os quais Nália Agostinho representou as artes plásticas, no âmbito do festival Gala Gala, em Setembro passado, à convite da Embaixada de Espanha em Maputo e do músico moçambicano, Stewart Sukuma.

A exposição nasce da tentativa de unir os elementos moçambicanos (no caso, o Ndjiritana: o embondeiro, que também significa crianças) ao romance clássico do espanhol de Miguel Cervantes, intitulado “Dom Quixote”.

“Quis pegar as ideologias de Dom Quixote e pô-las nas vestes de mulher. No romance, Dom Quixote é alguém que tem ideais muito claros. Ele acredita muito nos seus sonhos, ninguém lhe pode parar, não obstante haja pessoas que remem contra”, disse.

As obras, tal como o nome da exposição sugere, remontam a infância, a purificação, bem como espelham o amor, a força da mulher e diferentes estados de espírito.

“Alguns títulos foram inspirados no Dom Quixote, que eu acho que representa aquilo que as mulheres buscam em termos de afirmação, liberdade, reconhecimento”, explica. Não só as mulheres, acresce. “Na verdade, criança é menino ou menina. Quando crescemos é que começamos a criar essas diferenças sociais”.

São, no total, nove quadros. Para os conceber, Nália Agostinho baseou-se nas diferentes acepções do termo “Ndjiritana”, em Moçambique. Por um lado, é a mulher, o embondeiro, aquela que dá vida. Ao mesmo tempo, significa a criança, a pureza e a coragem para seguir sonhos e ideais próprios.

“Por exemplo, temos aqui um quadro que é resultado de um workshop, chamado ‘Intercessão de Universos’. Fiz na companhia de crianças espanholas e moçambicanas. Dentro do leque das moçambicanas, trabalhei com crianças de realidades completamente diferentes”, disse.

Algumas, continuou Nália Agostinho, eram de bairros nobres, frequentam escolas privadas e outras vinham da Mafalala, um bairro periférico de Maputo, onde residem crianças muitas vezes menos privilegiadas. “Elas criaram uma união num mundo só delas”.

A arte para para unir povos

Para Alberto Cerezo, embaixador da Espanha em Moçambique, a forma peculiar de olhar o mundo faz de Nália Agostinho uma das artistas moçambicanas com maior projeção.

“A temática foi uma coisa interessante, durante a elaboração deste trabalho. Nália Agostinho traz ideias muito originais, mesmo para alguém como eu, que não conhece muito a arte”.

Para o diplomata, é muito interessante ver o trabalho que é fruto da colaboração entre crianças espanholas e moçambicanas.

“A Nália realizou uma oficina muito bonita, com crianças. É muito bonito ver a interpretação das crianças ao mundo e todas as suas ideias”.

Inicialmente inaugurada em Setembro, no âmbito do festival Gala Gala, “Djindjiritana: Quixote s plásticos” foi reaberta, ontem, ao público, numa cerimónia que contou com a presença do Secretário de Estado da Cidade de Maputo, Vicente Joaquim.

Nália das Dores R. J. Agostinho é uma artista contemporânea moçambicana, nascida em 1990, em Maputo.

As raízes da sua infância estão profundamente enraizadas na Polana e no Chamanculo, bairros da Capital de Moçambique, repleto de texturas cruas, padrões, cheiros e o jeito caótico de Ser.

É formada em Ciências Políticas em Trento (Itália) onde viveu, estudou e trabalhou por quase 8 anos.

Seu amor pela arte começou durante sua infância, em tenra idade, quando incentivada por seu falecido pai, que era um amante das artes e da música.

 Frequentou a Escola Nacional de Música, onde completou a sua formação com uma certificação em Dezembro de 2006.

Em 2018, decidiu começar a pintar profissionalmente como uma necessidade de expressão do seu verdadeiro eu.

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