“A cidade não se entranhava em mim” – Ba Ka Khossa

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Ungulani Ba Ka Khosa. Cortesia da Catalogus. Fotografia de Júlio Marcos.

Durante três dias (de 21 a 23 de Outubro corrente), escritores de várias geografias estiveram reunidos, através das plataformas digitais, para, entre outras actividades, prestar homenagem a Ungulani Ba Ka Khossa, na Feira do Livro de Maputo.

O escritor foi a figura de destaque nesta sétima edição, e não é para menos. O ficcionista tem as suas obras alinhadas a promoção e divulgação da história e cultura do povo moçambicano, através da literatura.

Ba Ka Khossa recebeu das mãos do Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM), Eneas Comiche, um cheque no valor de 120 mil meticais, como reconhecimento pelo empenho em recontar a história do povo moçambicano.

É um gesto solene e histórico que, no entender de Eneas Comiche, era necessário, devido ao papel social que os escritos de Ungulani Ba Ka Khossa desempenham na sociedade moçambicana.

“Não é difícil justificar a homenagem a Ungulani ba ka Khosa, porque o seu percurso é revelador de uma carreira literária robusta, reconhecida em Moçambique e internacionalmente”, revelou o edil, para quem prestar homenagem à Ba Ka Khossa é um acto que revela o sentido de responsabilidade perante a história e cultura do país.

A Feira de Maputo é organizada pelo CMCM, com o objetivo de promover o acesso ao livro, bem como cultivar o hábito de leitura no seio social, através de actividades desenhadas com o objectivo de aproximar o escritor e seus públicos.

Ungulani Na Ka Khossa, reagindo a homenagem, sublinhou que tem, com a cidade de Maputo, uma forte ligação, sobretudo, no que toca à literatura. “Nesta cidade aprendi a gostar de ler, através da banda desenhada. A minha vida literária começou aqui, com os primeiros contos” contou.

Vê na homenagem endereçada a si, prosseguiu, uma forma de a sua cidade valorizar o seu papel social. “Alegra-me imenso este gesto da minha cidade dizer que tu és nosso”.

Ba Ka Khossa nasceu em Inhaminga, distrito de Cheringoma, província de Sofala, a 1 de Agosto de 1957. Vive em Maputo desde os seus 20 anos. Revelou que, nos primeiros anos, foi difícil produzir narrativas tendo como foco a capital do país.

 “No princípio, tinha receio de ter a cidade como pano de fundo nas minhas histórias, porque sentia que a cidade não se entranhava em mim”, assumiu o escritor.

A homenagem a Ba Ka Khossa foi marcada pela actuação de Roberto Chitsondzo e encenação de uma peça teatral adaptada do livro Histórias de amor e espanto, de Ungulani ba ka Khosa.

A Feira do Livro 2021 decorreu sob o lema “Questionar mais: A literatura à escuta do mundo”. No evento, foram discutidas, em 9 mesas redondas, constituídas por escritores de diferentes partes do mundo, as principais questões que norteiam a vida nos tempos que correm.

Teve Cabo Verde como o País de Honra e contou com a presença das actrizes Lucrécia Paco, Eunice Mandlate, o grupo Coral da Polícia Municipal e os músicos Roberto Chitsondzo, Xixel Langa e Texito Langa, bem como os actores: Joana Mbalango, Nélia Gilberto, Eunice Mandlate, Mateus Nhamuche e Lucrécia Paco.

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