O livro precisa ser mais barato – Eduardo Agualusa

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José Eduardo Agualusa

“A literatura angolana está a crescer, há cada vez mais vozes novas e jovens, mas padece de uma série de circunstâncias”, disse José Eduardo Agualusa, escritor angolano, numa breve entrevista ao “Mbenga”.

Uma delas, prosseguiu nos curtos instantes de conversa, pouco depois do lançamento do novo livro de Mia Couto (O caçador de elefantes invisíveis), é a obtenção de livros. Pois entende que para criar se um escritor é preciso criar, em primeiro lugar, milhares e milhões de leitores.

O também jornalista lamenta que, apesar de, nos últimos tempos, a literatura “palanca” estar a ganhar notoriedade, muito por força da diversificação dos conteúdos e surgimento de novos e jovens autores, prevalecem dificuldades no acesso ao livro.

Como forma de superar este quadro e criar novos públicos, Agualusa defende a maior participação do Estado na criação e apoio de redes de livrarias, bibliotecas e outros espaços públicos para que o para que se possa, eventualmente, reduzir o preço do livro no mercado.

“A Fundação Fernando Leite Couto (FFLC), em Moçambique, muito ligada à família do Mia Couto, faz um bom trabalho, no sentido de publicar livros acessíveis. E isto nós precisamos em Angola. É um bom exemplo do que se pode fazer e nós íamos tentar replicar”, disse, acrescentando que “o livro precisa ser mais barato e precisamos, também, aprender a produzir livros mais baratos”.

Para Agualusa, a diferença entre os contextos angolano e moçambicano, no que toca a literatura, é ténue. O autor de “O vendedor de passados”, sustenta que a maior dificuldade da literatura moçambicana, actualmente, é, necessariamente, fazer chegar as obras aos leitores.

“A nossa maior dificuldade, em Angola, também é essa. Como fazer chegar o livro às pessoas. Há poucas bibliotecas públicas. Poucas livrarias e poucas editoras. Então, acho que ainda falta percorrer um longo caminho”, descreveu o escritor.

Apesar disso, continuou, nos últimos anos, têm aparecido alguns nomes interessantes, sobretudo na poesia e ficção.

Curiosamente, acrescenta, esses nomes “interessantes”, na ficção, por exemplo, estão a aparecer fora de Angola. “Por exemplo, o Kalaf Epalanga, um escritor de Benguela começou a publicar em Portugal, onde vive desde os 16/17 anos. A Yara Monteiro, natural do Huambo, mas radicada em Portugal, idem”.

São escritores, prosseguiu, que tiveram contactos com o livro fora. Este é o problema de acesso ao livro.

Tal como Mia Couto, Agualusa colaborou com a revista portuguesa “Visão” e já tem agendado o lançamento de uma obra baseada nos textos que foi publicando durante os últimos anos em colaboração com o semanário português.

Intitulada “O Mais Felo Fim do Mundo”, a nova proposta de Agualusa é uma colectânea de contos, notas do seu diário e crónicas, algumas publicadas no jornal brasileiro “O Globo”.

A obra, que o escritor descreve como um retrato do quotidiano, aborda temas como a pandemia e outras situações da actualidade. O lançamento está marcado para o dia seis (06) de Novembro próximo, na Livraria da Travessa, em Portugal. A cerimónia de apresentação será dirigida por Mia Couto.

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