Fotografia de Anésio Manhiça a refletir sobre a presença do plástico no meio ambiente

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Anésio Manhiça assume-se um ser espontâneo, pois encontra nas cores, formas e cheiros que decoram o meio ambiente a sua fonte de inspiração.
Mergulha no mundo da fotografia em tempos de evolução tecnológica, recorrendo às câmeras de celulares como ferramentas alternativas para o seu processo de produção. Com este material, não só fotógrafa. Diverte-se e mostra ao mundo tudo o que vê a sua volta.
Graças ao seu alto sentido exploratório, com o qual identifica fenómenos peculiares que ocorrem na natureza, Anésio Manhiça venceu, no último domingo, o concurso de fotografia “A viagem do plástico”, organizado pela Associação Kulungwana, no âmbito do festival Gala Gala.
A ideia do evento era descrever os caminhos do plástico, desde o seu uso, descarte e reaproveitamento. E foi isto que Anésio Manhiça fez. Numa tarde, estando na Manhiça, terra natal dos seus pais, Anésio Manhiça observou uma menina de 16 anos acendendo o fogo, num fogão à carvão, usando o plástico como combustível.
“Bem, logo depois do fogo ter sido feito, achei que aquilo era fotógrafavel e que seria uma forma de mostrar uma parte da transformação e viagem do plástico”, explicou o artista o processo que levou a concepção da fotografia intitulada “A poluição a nível doméstico”, trabalho com o qual conquistou o pódio.
Ao Mbenga, Anésio Manhiça revelou que pretende, com a fotografia em questão, mostrar o quanto o plástico, apesar de nocivo, se faz presente no quotidiano dos moçambicanos.
“Com essa foto eu quiz mostrar uma prática de poluição feita em espaços fechados e menos conhecidos, que são as nossas casas. Eu também quiz chamar atenção das pessoas que normalizaram está prática”, destacou.
O artista prossegue, afirmando que o facto de um número considerável de famílias moçambicanas, sobretudo nas zonas rurais e urbanas, terem no carvão vegetal uma das principais fontes de energia, também contribuiu para a sua participação na “Viagem do Plástico”.


Manhiça sublinhou que o concurso corresponde a uma oportunidade de submeter os seus trabalhos ao olhar crítico de especialistas e curadores da área da fotografia, o que permite evolução do próprio artista.
“Tendo recebido informação do concurso, achei que seria uma oportunidade para mostrar a muito mais pessoas o meu olhar sobre o mundo. Eu também vi como uma oportunidade de pessoas com sensibilidade artista analisarem o meu trabalho”, disse Anésio Manhiça, acrescentando que “o que me deixou mais admirando foi o número de votos. Eu cheguei a 5600 sendo que no ano pasto vencedor teve 1460”.
Apesar de nunca antes ter participado em concursos e exposições fotográficas, Anésio Manhiça sempre foi optimista. Acreditou, desde o momento em que lhe surgiu a intenção de candidatar-se à “Viagem do plástico”, que ocuparia um dos lugares cimeiros da competição.
“Eu entro em concurso para ganhar. Eu investi tempo para garantir que fosse o vencedor. Eu sentia que era o vencedor. Mas a pergunta que eu fazia-me era : serei o segundo o primeiro colocado?”, explicou.
O desejo de vencer levou Anésio Manhiça a tomar uma difícil decisão, durante o processo de votação. Abriu mão de uma, das duas fotografias que submeteu, intitulada – Uso do plástico nos cuidados do ambiente” – por força da opinião dos seus seguidores nas redes sociais.
“Eu tinha duas fotos concorrendo ao prêmio. Nos 2 primeiros dias eu pedia votos nas duas fotos. Mas depois concentrei atenção numa só foto. A foto que as pessoas mais se identificaram.”, Justificou, acrescentando que o público sentiu-se envolvido com o retrato “A poluição nível doméstico”, pois reflete hábitos maléficos, muitas vezes ignorados pela sociedade.
Anésio Manhica é um jovem , formado em antropologia. Dedica seu tempo à pesquisa social em torno do desenvolvimento do sector privado nacional e africano. Recentemente criou um canal no YouTube ( onde conta gosto de jovens que não conseguem emprego e buscam no negócio a sobrevivência.

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