“A Morte e o Cavaleiro Real” traduzido em Moçambique

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“A Morte e o Cavaleiro Real”, livro do Nobel de Literatura 1986, Wole Soyinka, escritor nigeriano, está traduzido para português pela moçambicana Sandra Tamele, sob chancela da editora nacional Ethale Publishing.
O livro “A Morte e o Cavaleiro Real” está disponível em Maputo, Nampula, Quelimane e Beira e em Portugal, fazendo parte da primeira bagagem de exportação a Europa, de livros da editora moçambicana Ethale Publishing, uma editora que promove a utilização de narrativas africanas para a mudança social.

A obra faz parte de uma série de textos que Soyinka escreveu no período em que esteve exilado em Cambridge (EUA), anos depois de ter sido acusado e preso no seu país de conspirar com os rebeldes durante a guerra civil na Nigéria (1967-1970).
“A Morte e o Cavelerio Real”, de acordo com o comunicado de imprensa recebido pelo “Mbenga”, é inspirada em factos reais, ocorridos durante a presença colonial britânica na Nigéria. O livro narra a história de Elesin, cavaleiro de um rei Ioruba (uma das maiores etnias da África), que foi proibido de cometer suicídio, como parte de um ritual tradicional na sua cultura, pelas autoridades coloniais.
Entre as comunidades Ioruba existe a crença de que, após a morte de um rei, é necessária a realização de cerimónias em que o seu respectivo cavaleiro tira a sua própria vida, voluntariamente, para ajudar o espírito do rei a ressucitar para a vida após a morte.
Se tal não acontecer, acredita-se que o espírito do rei vagará pela terra e causará prejuízos ao seu povo, o que implica um problema capaz de desiquilibrar a comunidade.
A obra, na descrição da editora, está dividida em duas partes, sendo a primeira uma narrativa de eventos catastróficos que se seguem ao incumprimento das tradições africanas – gerando reflexões sobre cosmologia, políticas da diferença e negociação de crenças e a outra reflete sobre os valores, direitos e a dignidade do ser humano.

Sandra Tamele


Na sua nota de tradutora, Sandra Tamele revela ter optado por “não realizar uma pré-leitura e deixar a tradução fluir conduzida pelo desenrolar da trama ao rítmo dos versos do bardo, dos choros das mulheres e dos batuques que compasaram a marcha fúnebre de Elesin, o cavelrio Real”.

Wole Soyinka é um homem de causas sociais. Romancista, poeta, dramaturgo, ensaista e professor, usa da escrita para questionar e criticar, duramente, às administrações da Nigéria e de tantos outros países africanos, tal como o fez ao denuciar o regime de Robert Mugabe, do Zimbabwe.
Participou ativamente na história política da Nigéria, sempre com espírito contestatário, o que remdeu-lhe a prisão pelo Governo federal. Mesmo preso, não deixou de lutar pelo bem comum. Escreveu poemas que mais tarde viriam a ser publicados em uma colecção sob o título “Poems from Prison” (Poemas da prisão).
Em 1986 tornou-se no primeiro escritor africano a vencer o prestigiado prémio nobel da literatura. Hoje, aos 87 anos continua uma voz activa na arena literária, dando palestras e participando em conferências em todo mundo, abordado temas como a literatura, política, filosofia e mitologia africano, com particular incidência sobre a cultura ioruba.

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Encontra no jornalismo um espaço fértil para alimentar o gosto de narrar factos e partilhar experiências do dia a dia. Estudante finalista pela ECA-UEM, vê na leitura e escrita ferramentas indispensáveis para contar hi(e)stórias, exteriorizar-se e conduzir o mundo pelo caminho da luz e da boa convivência entre pessoas. Também tem formação técnica em Jornalismo e Multimédia e colabora com a plataforma Mbenga desde 2019. Tem, ainda, textos publicados em diversos semanários nacionais.

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