MATALANE O Silêncio do assédio e violência sexual

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Artistas plásticos, estilistas, modelos e poetas irão vestir, no dia 3 de Abril das 16.00 às 19.00 horas, a Rua de Arte (Travessa Das Palmeiras), na baixa da cidade de Maputo, com peças de roupa, pinturas.

Intitulado MATALANE O Silêncio do assédio e violência sexual, este fashion show organizado pela Cooperativa Wansati Wachonga e Loja Social tem mote o mês das mulheres que inicia no dia 8 de março, Dia Mundial das Mulheres e, nesta casualidade peculiar de Moçambique, termina no dia 7 de Abril, dia da Mulher moçambicana.

Como forma de recordar a todos sobre a vulnerabilidade das mulheres, a curadoria, para o título do evento, foi buscar o escândalo recente na escola da Policia da República de Moçambique, em Matalane. Foram detectadas 14 instruendas grávidas dos instrutores.

O propósito deste fashion show é denunciar, recordar, escancarar que temos de erradicar o abuso, assédio e violência sexual nas escolas.

No desfile serão apresentadas as colecções Wansati Wachonga da marca Coop_WW, Stop violência da QUAQUA, Adecoal Wear da Alberto Correia que assina Adecoal Wear e Matalane da marca Pandzula Moz.

Sandra Pizura e o projecto Wansati Wachonga que integram meninas dos bairros de Polana Caniço e T3, fará colagem de um mural que dialoga com questões como assédio, violência sexual através de uma pintura expressiva Sandra Pizura. A poesia será trazida pela Denise Fazenda e Énia Lipanga.

 A música acústica será executada por NBC, Irmãos Mariquel e Sister África prometem uma volta as raízes a explorarem a folclórico, o tradicional. E o Grupo Comunichiv fará a dança.

Antes da pandemia, por volta das 18.00 horas a rua de Bagamoyo era povoada por mulheres vendedeiras de sexo, pubs, clubes, bares e, evidentemente, os clientes, os comerciantes ambulantes entre outros.

Este projecto, apoiado pelo Fundo das Nações Unidas Para a População (UNFPA) e a Embaixada da França, escolheu a ruela paralela ao “mercado” de sexo, justamente para recordar que, tal qualquer outra profissão, a prostituição também deve ser respeitada.

“Pretendemos contribuir para a erradicação do abuso, assédio e violência sexual nas escolas, através da sensibilização do público participante sobre respeito aos direitos sexuais, visibilizar a problemática através da arte da moda”, esclareceu Mariza Dias, coordenadora do projecto.

A indumentária, prosseguiu Mariza, a fisionomia não dá permissão a ninguém para nenhuma prática que seja prejudicial ao desenvolvimento da rapariga. É uma pedra no charco onde refletem-se os rostos de quem reduz uma mulher pelo que veste, pela sua sociabilidade.

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É licenciado em Jornalismo, pela ESJ. Tem interesse de pesquisa no campo das artes, identidade e cultura, tendo já publicado no país e em Portugal os artigos “Ingredientes do cocktail de uma revolução estética” e “José Craveirinha e o Renascimento Negro de Harlem”. É membro da plataforma Mbenga Artes e Reflexões, desde 2014, foi jornalista na página cultural do Jornal Notícias (2016-2020) e um dos apresentadores do programa Conversas ao Meio Dia, docente de Jornalismo. Durante a formação foi monitor do Msc Isaías Fuel nas cadeiras de Jornalismo Especializado e Teorias da Comunicação. Na adolescência fez rádio, tendo sido apresentador do programa Mundo Sem Segredos, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique de Inhambane. Fez um estágio na secção de cultura da RTP em Lisboa sob coordenação de Teresa Nicolau. Além de matérias jornalísticas, tem assinado crónicas, crítica literária, alguma dispersa de cinema e música. Escreve contos. E actualmente, é Gestor de Comunicação da Fundação Fernando Leite Couto.

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