Humildade e amor nos primeiros passos de Xavier Machianha a solo

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A música tem cheiros, memórias, saudades, promessas…é feita pelos fios que costuram a identidade de uma pessoa. Há músicas que marcam uma vida de quem a ouve. O mesmo, talvez mais profundo, ocorre com o seu criador que tem nesta arte parte da sua existência, do seu Ser, o oxigénio para a humanidade.

Xavier Machiana, ex-vocalista da banda moçambicana de rock, Rockefeller’s é um desses casos, de alguém que ainda na infância encantou-se pela música. As aulas na Escola Nacional de Música, em Maputo, alimentaram ainda mais a paixão, envolveram-no mais a fundo neste universo.

Tendo abraçado a guitarra, não mais a largou. Na década 90 encontrou na banda Bon Jovi uma referência, um alicerce. E foi ensaiando covers dos hits do conjunto de Nova Jersey.

O Xavier Machiana que entra nas nossas casas, aos sábados, no talk show Sofá do Xavier (Stv) é, em parte, resultado de um percurso cujo catálogo inclui actor, activista social. E, marcante, foi a sua passagem pela banda Rockefeller’s, referência inquestionável do rock moçambicano.

No conjunto de rock, o também compositor, projectou-se, passando a confundir-se com a formação (como, aliás, é tradição das bandas). E quando falamos dos anos 90, referimo-nos a uma época em que o mainstream era composto por emblemas como Ghorwane e Kapa Desh, por exemplo, cuja aposta, em termos de linguagem, era dos ritmos africanos. Sem com isto ignorar-se que de outras geografias não chegava outras propostas.

A banda Rockefeller’s é, sem dúvida, um dos conjuntos mais influentes e incontornáveis no panorama da música moderna moçambicana.

Xavier Machiana segue agora carreira a solo, tendo lançado recentemente os singles “Grace” e “Push”.

“Grace”, traduz o interesse do intérprete cantar sobre a necessidade das pessoas serem mais humildes e, acima de tudo, aprenderem a verbalizar a gratidão.

“Push”, explicou-nos: “é uma história de amor que fala um pouco sobre mim”. Xavier entende que apesar da vida mundana, há momentos em que, num ápice o indivíduo muda “e muitas vezes a mudança tem a ver com o conhecer a pessoa certa, isso aconteceu comigo”.

Ambas faixas foram produzidas por João Carlos Schwalbach na Ekaya Productions em colaboração com John Caban.

Um olhar sobre a Distribuição de Música digital

Num momento em que o mundo foi obrigado a passar mais tempo em casa sem contacto físico com o exterior, as músicas através de plataformas de streaming crescem em termos de audiência.  Uma certeza instala-se, o consumo de música nunca mais será igual. O susto pela pandemia irá passar, as pessoas poderão voltar a rua, a viajar. Mas nada será como antes.

Atento aos ventos da mudança (no século XXI a terra prometida é uma superfície dinâmica de algoritmos, 4K, 8K, 128 gb) Xavier recorreu ao mercado da música digital. É neste contexto que integra a Modigi, que disponibilizou os singles de Xavier na rede global de streaming.

“Hoje em dia funcionamos com aparelhos móveis e cada um ouve, assiste, vê e acompanha informação de acordo com o seu gosto”, observou, argumentando que essa nova realidade, naturalmente, alterou a forma de escutar música.

Xavier distancia-se da corrente que exibe o certificado de óbito do disco. Mas não duvida que o mercado digital facilita a segmentação dos gostos, atingindo os indivíduos, o que é, literalmente, um feito no contexto (falido) da cultura de massas.

“Chega de forma mais rápida, mantém a qualidade do criador e as pessoas visitam quantas vezes quiserem”, disse Machiana.

Olhando para o futuro Machiana, peremptório, afirmou: “definitivamente a distribuição digital é o futuro. Existe uma nova geração de consumidores que o fazem de forma muito específica”.

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