A literatura vive um renascimento com a Covid-19

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O INTELECTUAL moçambicano Nataniel Ngomane diz que a literatura mundial está a viver um renascimento com a Covid-19, que força as sociedades a estarem mais em casa a obedecer o isolamento social.

Numa chamada telefónica, o académico e presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa (FBLP), tomou a publicação de poesia, crónicas entre outros géneros literários nas redes sociais como exemplo do interesse maior na arte das letras.

“Há sessões de leitura online, troca de livros, as editoras estão a disponibilizar livros grátis em Pdf [como forma de contornar] a impossibilidade de se sair para conversar”, disse.

Entretanto, olhando para a realidade nacional, em que apenas um grupo restrito de pessoas tem acesso à internet, aos smarphones e computadores, Ngomane lamenta o facto de haver pessoas que não irão tirar proveito desta nova realidade.

“Na universidade há estudantes que para ter acesso a um computador e à internet têm de ir ao campus e é uma grande parte deles”, prosseguiu o intelectual, reconhecendo que haverá excluídos.

Prosseguiu, referindo que esta realidade está a revelar possibilidades antes impensáveis, como por exemplo, a série de eventos online que o Museu de Língua Portuguesa de São Paulo, no Brasil, realizou de três a cinco do mês em curso, a propósito das celebrações, pela primeira vez, do Dia Mundial da Língua Portuguesa.

A partir da sua casa, Nataniel Ngomane participou em uma das conversas que, de igual modo, recebeu gente de Portugal e de outros países falantes deste idioma.

“Nesta tentativa de manter o contacto, acabamos descobrindo que podemos fazer muitas coisas, debater o pensamento nesses suportes virtuais”, assumiu o docente universitário de cadeiras de literatura e linguística.

A expectativa, revelou o académico, é que nos próximos tempos continuem a surgir, páginas no Facebook, que irão revelar novos autores, difundir a língua para além de explorar outras temáticas relacionadas.

No Clube do Livro, um núcleo de leitores  que a partir de estudante em Maputo se replicou pelo país, o docente disse permanecer um contacto regular através do Whatsapp e do Facebook.

Há textos sérios

nas redes sociais 

AO contrário do pensamento generalizado de que as redes sociais servem apenas para partilha de “coisas inúteis”, Ngomane mostra-se optimista em relação a elas e aos conteúdos publicados.

“Diga-se que há textos sérios a serem publicados em portais electrónicos”, prosseguiu o intelectual, referindo que “aos poucos surgem autores a publicar seus textos nestas redes sociais”.

Com a Covid-19, essas plataformas é que saem a ganhar, continuou. Como exemplo, em Moçambique, apontou a Revista Literatas, que conforme o académico, está a publicar material sério e responsável.

“É certo que temos assistido a discussões nojentas noutras páginas e isso continuará a existir mas, com o tempo, a qualidade irá demarcar as páginas”, vaticina o docente universitário e crítico literário.

Outrossim, nas redes sociais abre-se uma janela para que, quem não pode publicar em jornais e revistas, dê a conhecer o seu trabalho.

Trancado em casa há seis semanas, tendo saído três vezes por razões pontuais, Nataniel Ngomane assumiu-se espantando com o que viu nessas “escapadelas” inadiáveis.

“Fiquei estupefacto quando fui à rua, ao ver que as pessoas não estão a dar importância ao que se está a passar, continuam a fazer a sua vida normalmente: abraçam-se, beijam-se como se nada fosse”, contou.

O intelectual opina que se deve intensificar campanhas de consciencialização, feitas por activistas e não o recurso à força da Polícia. Os mais esclarecidos poderiam se mobilizar para fazer essa campanha.  

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