Músicos e produtores incertos sobre o futuro

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MÚSICOS e produtores de espectáculos com futuro incerto em meio ao coronavírus que continua a engordar as estatísticas de infectados e óbitos. O cancelamento de espectáculos, gravações, em consequência da pandemia, estão a afectar os bolsos da classe das artes musicais.

Se por um lado a Covid-19 leva a vida de pessoas, por outro, a sua prevenção tira, literalmente, o pão de quem vive, por exemplo, do palco liderando ou a acompanhar músicos/bandas.

Entre os afectados, estão músicos, produtores, técnicos de som, luz e toda a cadeia a volta de espectáculos.

Nelton Miranda, um dos mais requisitados baixistas do país, membro do conjunto Kapa Dech, conta que “senti o impacto da Covid-19 logo após o anúncio das primeiras medidas restritivas anunciadas pelo Presidente da República”.

De imediato foi recebendo mensagens e chamadas a anunciarem cancelamentos de trabalhos que já vinham agendadas há algum tempo.

“Eu acabava de assinar um contracto de três meses de trabalho, tinha espectáculos em países africanos, duas digressões para Europa e alguns festivais cá em Moçambique”, escreveu-nos o baixista na entrevista que fizemos através do Facebook.

Com o encerramento de casas de pasto e a restrição do número de pessoas a partilharem o mesmo espaço, prossegue, não há como fazer os “trocos” da semana que era a junção do acumulado em apresentações de pequena e grande dimensão, casamentos entre outras cerimónias para as quais os músicos têm sido convidados.

“Nós trabalhamos a semana toda… imagina o impacto disso, as perdas, os contratos cancelados, mas vamos vencer”, acrescentou.

“De fome não vamos morrer, enquanto temente à Deus! ”, acredita o músico.

Nelton Miranda, nestes dias sem trabalho, recorda com saudade de um passado recente em que a sua vida resumia-se a ensaios, gravações, casas de pastos.

Embora partilhe do princípio de que a arte só é digna de tal designação se exposta e consumida, não é adepto da opção pelos lives (transmissões em directo no Facebook e Instagram).

“Os lives servem para distrair as pessoas, acho que é isso”, disse Miranda, lamentando o facto de, sem mencionar nomes, haver produtores desses espectáculos que alegam que sendo época de pandemia os músicos devem participar como donativo.

Para o baixista propostas do género não passam de uma autêntica e descarada falta de respeito para com “a classe mais desprezada e a primeira a ser chamada quando há eventos, quer aniversários, casamentos, festivais…”.

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É licenciado em Jornalismo, pela ESJ. Tem interesse de pesquisa no campo das artes, identidade e cultura, tendo já publicado no país e em Portugal os artigos “Ingredientes do cocktail de uma revolução estética” e “José Craveirinha e o Renascimento Negro de Harlem”. É membro da plataforma Mbenga Artes e Reflexões, desde 2014, foi jornalista na página cultural do Jornal Notícias (2016-2020) e um dos apresentadores do programa Conversas ao Meio Dia, docente de Jornalismo. Durante a formação foi monitor do Msc Isaías Fuel nas cadeiras de Jornalismo Especializado e Teorias da Comunicação. Na adolescência fez rádio, tendo sido apresentador do programa Mundo Sem Segredos, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique de Inhambane. Fez um estágio na secção de cultura da RTP em Lisboa sob coordenação de Teresa Nicolau. Além de matérias jornalísticas, tem assinado crónicas, crítica literária, alguma dispersa de cinema e música. Escreve contos. E actualmente, é Gestor de Comunicação da Fundação Fernando Leite Couto.

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