Música: Os adiamentos que chegaram com a Covid-19

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O ISOLAMENTO social, imposto pela Covid-19, adiou uma série de espectáculos, festivais e exposições, comprometendo artistas, produtores, para além de centros culturais, casas de pasto e galerias de arte.

“Ainda nos finais de Fevereiro, começamos a sentir o impacto desta pandemia, os concertos começaram a receber plateias reduzidas e começamos a viver uma incerteza em relação ao futuro”, disse Ginho Sibia, produtor de espectáculos de música, baseado em Maputo.

Semanas depois, já em Março, percebeu que já não havia outra opção, senão cancelar os concertos e programas que estavam desenhados para todo o primeiro semestre deste ano.  

“Na Galeria do Porto de Maputo, por exemplo, já tínhamos uma agenda desenhada até Julho e só conseguimos produzir concertos até à segunda semana de Março”, lamentou o produtor.

Ginho conta que, ainda em Março, o espaço iria receber a Orquestra Timbila Muzimba, para um concerto que acabou cancelado na semana do evento, apesar de que na altura ainda não havia sido decretado o estado de emergência.

“Para Maio, estava agendado Ras Hitrim, sarau e concerto com Paulina Chiziane, mas também foi por água abaixo. Estávamos a agendar a vinda do Ivan Mazuze, para o dia 03 de Julho, infelizmente pensamos que não haverá ainda condições”, detalhou o produtor.

Noutra casa para a qual tem organizado concertos, o Hotel Terminus, num programa designado Only Jazz Witouh Stress, Ginho Sibia lamenta o facto de sequer ter começado.

A abertura, disse, seria no dia 27 de Março com um concerto inédito do Salimo Mohamad, Hortêncio Langa e Wazimbo.

Sibia prosseguiu, referindo que no município da Matola, na casa Emporium onde vinha organizando espectáculos às sextas-feiras, sábados e aos domingos para além do Dia Do CD – uma iniciativa de Lapa Man-, pretendia fazer um tributo à mulher moçambicana.

“Havíamos programado o mês de Março para homenagear a mulher moçambicana, mas infelizmente não foi possível realizar estes concertos como já havíamos agendado o Frank Paco, para vir celebrar o Dia Internacional do Jazz, mas tudo ficou ‘pendurado’”, disse Ginho Sibia.

O produtor salientou ainda a impossibilidade de intercâmbios culturais com músicos estrangeiros, que vêm fazendo. Até porque já produziu concertos dos sul-africanos Bokani Dyer, Tlale Makhene, entre outros.

“Nas minhas parcerias com o Matchume Zango (membro da Orquestra Timbila Muzimba que tem igualmente uma carreira a solo), estávamos programados para trazer o Projecto Mano-Zango, do Japão, mas quando perceberam o impacto da pandemia na Ásia e na Europa, preferiram cancelar tudo”, exemplificou Ginho Sibia.

Nessas circunstâncias, o produtor disse que no princípio da crise foi sustentando-se com o “pé-de-meia”, que foi juntando, assim como pela sua outra arte, a pintura de quadros.

“Eu em particular vou me safando por que sou multifacetado, além de produtor sou artista plástico e algumas pessoas que gostam do meu trabalho vão me apoiando, mas não é fácil por que está tudo sombrio”, concluiu Ginho Síbia.

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