RUNNING FROM THE URB

0
13
Estação Quarta - José CraveirinhaLegenda da Foto: José Craveirinha, Rua da Guiné, Bairro da MafalalaArte de Bruno João Mateus “SHOT B”, Fotografia de Mário Cumbana

*De Ivan Laranjeira


José Craveirinha nasceu na Rua do Zixaxa, actual Rua dos Irmãos Roby, muito cedo se mudou para a Mafalala onde cresceu e se fez homem.

Mafalalino de quatro costados, fez da Mafalala o seu micro-cosmos e objecto permanente da sua poesia o que lhe confere o título de Poeta da Mafalala. Craveirinha é herói nacional, preso político e antigo combatente! Assinou com vários pseudónimos (Mário Vieira, Jesuíno Cravo, Abílio Cossa, José G. Ventrinha) as suas crónicas e poemas num estilo particular que se caracteriza pelos seus vaticínios e negritude. 

Poeta multifacetado: líder associativo, nacionalista, jornalista, desportista; profetizou a liberdade e o ouro olímpico ao descrever o futuro cidadão. Verdadeiro Intelectual orgânico, marcou o último século da literatura moçambicana ao escrever nas várias fases da vida deste país. Poeta prolífico qual Tupac Amaru Shakur publicando obras a título póstumo.

Poeta-Mor equivalente ao GOD MC na cultura hip-hop destaca-se pelo seu wordplay, punchlines e infinidade de nicknames.Amante incondicional do jazz e do folclore Moçambicano enquanto jornalista no Brado Africano e na Tribuna, num contexto colonial, esgrimiu-se pela MARRABENTA e música feita pelos africanos argumentando e documentando sobre a sua origem, seus fazedores, influências ritmícas, coreografia, salões e a relevância da sua prática para a identidade “em construção” dos moçambicanos. 

Como presidente da Associação Africana incentivou a prática do desporto, dança, música e ofereceu a plataforma necessária aos agrupamentos de então: Conjunto João Domingos, Hula Hoop, Orquestra Djambu, entre outros. Fez o mesmo com as artes plásticas na célebre exposição na Associação Africana com Malangatana, Agostinho Muthemba, Jacob Estevão, Bertina Lopes e Chichorro, para mencionar alguns. 

O Estiloso como carinhosamente é tratado pelos mais chegados é o porta-estandarte da moçambicanidade – o primeiro africano a ganhar o prémio Camões. Kloro killa apresenta-nos a 21 de Março de 2020, o seu segundo álbum “Revolução Cultural” inspirado neste legado histórico de Craveirinha “O Revolucionário”. 

*Presidente da Associação Iverca, Director do Museu Mafalala e do Festival Mafalala

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here